… e criou uma das maiores ferrovias do mundo
Mais do que encontrar uma jazida de minério de ferro, na busca de uma reserva de manganês, a descoberta de Carajás, no sudeste do Pará, em 31 de julho de 1967, é marco significativo na mineração mundial e, em especial, na brasileira, pois colocou o País em posição de destaque no cenário global.
Situado na Serra dos Carajás, o Projeto é uma província mineralógica detentora da maior reserva de minério de ferro de alto teor conhecida do mundo, além de contar com expressivas reservas de manganês, cobre, ouro e minérios raros. Maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo, além de ferro e manganês, Carajás produz outros minerais como cobre e níquel.
A materialização do Projeto Ferro Carajás, iniciativa inédita na região amazônica, levou 18 anos, mobilizou mais de 27 mil pessoas, envolvendo desde a construção de mina e usina no Pará, em uma ponta, até o porto de São Luís (MA), atual Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, assim como a Usina Hidrelétrica de Tucuruí, uma das maiores do mundo.
Hoje, Carajás integra um dos sistemas da Vale: o Sistema Norte, localizado na Serra dos Carajás (PA), composto por três complexos de mineração (Serra Norte, Serra Sul e Serra Leste).
A grandiosidade do Complexo Minerário Carajás é comprovada, por exemplo, pela produção do Sistema Norte (formado pelas serras Sul, Norte e Leste), que, em 2024, foi de 177,5 milhões de toneladas de minério de ferro, enquanto a mineradora como um todo produziu 307,79 milhões de toneladas de minério de ferro.
Hoje, a gigante da mineração brasileira e uma das maiores no mundo, direciona o olhar para a produção de minerais essenciais para a descarbonização, o combate às mudanças climáticas e para um futuro mais sustentável. Além disso, opera uma das maiores e mais importantes ferrovias do globo, que também lidera o ranking das ferrovias mais eficientes do Brasil graças ao constante investimento em tecnologia: a Estrada de Ferro Carajás (EFC), que em fevereiro completou 40 anos de funcionamento.
Meta florestal e unidades de conservação
O Mosaico de Carajás está na Amazônia, em área total de 800 mil hectares protegidos desde a decisão de implantar o projeto Carajás na década de 1980. As operações da empresa ocupam cerca de 3% deste conjunto e é permeada por reservas florestais e unidades de conservação, que contam com o suporte e a participação efetiva da mineradora nas metas de recuperação de áreas e nos empreendimentos sociais. No total, as iniciativas da Vale nesse sentido exigem investimentos voluntários superiores a R$ 200 milhões.
Em imagens de satélite das seis unidades de conservação, é possível detectar a ocupação de toda a área ao redor do Mosaico, com exceção daquelas protegidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) com o apoio da Vale.
A preocupação com a proteção desses espaços que formam o Mosaico contribuiu para a área funcionar como vetor do turismo ecológico e da bioeconomia na região, assim como um dos espaços de maior geração de conhecimento científico no Brasil.
Há ainda o programa Genômica da Biodiversidade Brasileira, parceria do ITV-Instituto Tecnológico Vale com o ICMbio, focada no sequenciamento genômico de espécies da fauna e da flora amazônica, assim como ações de fomento à bioeconomia da Amazônia, apoiando cadeias produtivas extrativistas, contribuindo para a geração de renda de famílias que vivem na região, além de patrocinar iniciativas de qualificação e estruturação do órgão ambiental.
O conceito de futuro sustentável responde pela Meta Florestal da Vale, que objetiva recuperar 100 mil hectares e proteger outros 400 mil até 2030. Entre as concretizações estão o da Belterra, startup apoiada pelo Fundo Vale que deverá fortalecer a produção de cacau no Pará, com mais 10 milhões de mudas plantadas e a geração de 60 mil toneladas de produção do fruto.
As pretensões vão além. Como explica Patricia Daros, diretora de Soluções para a Natureza da Vale, “o projeto deverá recuperar mais de 20 mil hectares no Pará, gerando mais de dois mil empregos. O plantio, no entanto, não se resume a plantar mudas, mas adota o sistema de produção que consorcia espécies agrícolas para produção o ano todo com espécies florestais.”
Nas palavras de Daros, esse é “um trabalho dedicado com a premissa de gerar renda e emprego, fomentando cadeias produtivas sustentáveis ao longo do processo de recuperação dos biomas e serviços ecossistêmicos e, também, permitindo, futuramente, o sequestro de carbono da atmosfera.”
Outras iniciativas da Vale se agregam nesse projeto de conservação da Amazônia, tais como empreendimentos sociais direcionados a contribuir com a diversificação econômica da região, levando em conta a vocação local associada à conservação da biodiversidade.
“O resultado vem se transformando nos mais variados sabores e formas desenvolvidos por empreendedores locais na apicultura, fruticultura, produção de hortaliças e, ainda, estimulando a valorização do patrimônio cultural, a exemplo da Associação Filhas do Mel (Afma), Diamante Negro da Amazônia (Dinam) e Centro Mulheres de Barro”, cita Daros.
