A Bahia segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) daquele estado, ocupa hoje a 4ª posição no ranking nacional de produção mineral comercializada, com faturamento de R$ 10,1 bilhões em 2024. Abrigando grandes empresas mineradoras com perfil diversificado, a capital baiana neste ano recebe a Exposibram e mostra porque a sua atividade minerária é referência no cenário nacional pela variedade de minerais produzidos e também pelo número de empregos formais diretos gerados pela atividade minerária: mais de 38 mil.
Entre os principais minerais existentes nas terras baianas, destacam-se ouro, níquel, cobre, cromita, talco, magnesita, vanádio, ferro e titânio. Além disso, na Bahia, está a única produção de níquel sulfetado a céu aberto da América Latina, que fica na Mina Santa Rita, da Atlantic Nickel, em Itagibá; e a única mina de vanádio das Américas, instalada na cidade de Maracás e administrada pela Largo.
Detalhes sobre a mineração na Bahia, assim como em todo o Nordeste brasileiro (e demais estados), podem ser encontrados na versão mais recente do Anuário Mineral Brasileiro Interativo da Agência Nacional de Mineração (ANM), publicado em 2023. Nessa publicação, como informa Maisa Abram, chefe do Departamento de Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (SGB) – instituição que desenvolve projetos essenciais para ampliar o mapeamento geológico sistemático em escala adequada (1:100.000 ou superior) – além dos minerais presentes no território baiano, os demais entes federativos contribuem para que a região seja um polo de produção de ouro, cobre, água, rochas britadas e cascalho, dolomito e magnesita, níquel, potássio, calcário, rochas ornamentais, cromo, argilas, ferro, talco, gipsita, vanádio, areia, fosfato, zircônia e diamante, entre outras.
Potencial inexplorado
Edvaldo Amaral – presidente do Sindicato das Indústrias Extrativas de Minerais Metálicos, Metais Nobres e Preciosos, Pedras Preciosas e Semipreciosas e Magnesita no Estado da Bahia (Sindimiba) –, frisa o enorme potencial mineral ainda a ser explorado, com destaque para minerais estratégicos da transição energética, como cobalto, terras raras, vanádio, níquel e cobre, reconhecendo que esses recursos colocam a Bahia no radar internacional em um momento de grandes transformações para o setor.
Para que isso aconteça, o trabalho do SGB é fundamental para gerar informações pré-competitivas, que reduzem custos e atraem investimentos em pesquisas e nas outras etapas da cadeia produtiva do setor mineral. “Nossos estudos demonstram o potencial das áreas e contribuem para novas descobertas. Os dados podem ser acessados pelo público em geral”, informa Abram, citando o esforço do atual governo em “ampliar o mapeamento na escala 1:100.000, além de fomentar investimentos públicos em projetos temáticos de recursos minerais para identificar áreas com potencial para exploração.”
Izaac Cabral, pesquisador em geociências do SGB, aos pontos alinhados pela chefe do Departamento da instituição, agrega outras ações em curso, como “a ampliação das linhas de investimentos públicos e privados para produção mineral, avanço tecnológico e ampliação da cadeia industrial downstream. Tudo isso busca superar os desafios para tornar o Brasil um país cada vez mais atrativo para o setor mineral.”
Aprimoramento de processos de licenciamento
Complementando os técnicos do SGB, Amaral cita como gargalos “a necessidade de um melhor entendimento, por parte da sociedade, sobre o papel e os benefícios da mineração para o seu dia a dia e para o desenvolvimento econômico e social das regiões minerárias. A atividade está presente no cotidiano de todas as pessoas e é fundamental para a geração de empregos, inovação e infraestrutura.”
O presidente do Sindimiba faz também uma reivindicação que envolve o aprimoramento dos processos de licenciamentos para se tornarem menos demorados e, assim, “tornar a Bahia uma jurisdição mais ágil e competitiva.” Pede, ainda, “maior segurança jurídica, ampliação da infraestrutura logística (especialmente transporte ferroviário e portuário) e políticas que incentivem a atração de investimentos.”
Sua fala reflete a percepção das 12 associadas do Sindimiba, entidade com 15 anos de atuação e que reúne e representa as principais empresas mineradoras da Bahia, atuando na defesa dos interesses do setor, na articulação institucional, capacitação e iniciativas em sustentabilidade, inovação e comunicação com a sociedade.
Resumindo o papel da instituição, Amaral define o Sindimiba como “importante ator para a promoção da mineração local, promovendo o estado e as empresas do setor. A nossa missão é potencializar a mineração como atividade econômica e um pilar estratégico de desenvolvimento socioeconômico, promovendo empregos, arrecadação, tecnologia e investimentos que impulsionam diversos outros setores produtivos.”
Tecnologia aplicada à mineração na Bahia
Mesmo frente a dificuldades, Amaral reconhece avanços na mineração baiana referentes à automação de processos e ao uso de tecnologias de ponta, especialmente nas grandes empresas. Exemplificando, relata “inovações da RHI Magnesita com a inauguração do maior forno rotativo da multinacional, no mundo; e com a aplicação de tecnologias preditivas de falhas de alto-forno. Contudo, há espaço para maior difusão dessas inovações em todo o setor, sobretudo em minas médias e pequenas.”
O uso de maquinário moderno e de tecnologias avançadas tem sido fundamental para aumentar a produtividade, a segurança operacional e a sustentabilidade das operações no estado. Investimentos em novos equipamentos também têm permitido ampliar a recuperação mineral e reduzir impactos ambientais.
E mais: o setor tem avançado de forma significativa em práticas sustentáveis e de governança, com destaque para a Certificação ESG, da ABNT, relata Amaral, lembrando que a primeira empresa certificada no Brasil “é uma mineradora baiana, a Jacobina Mineração Pan American Silver. Esse reconhecimento reforça o compromisso das mineradoras instaladas na Bahia com uma mineração responsável, transparente e alinhada aos padrões internacionais de sustentabilidade.”
Exposibram na Bahia
Depois de mais de 30 anos, o evento retorna à capital baiana, colocando o estado na rota do desenvolvimento minerário e ganhando cada vez mais protagonismo. Segundo Amaral, a expectativa do setor é a de que o evento “seja uma vitrine para atrair novos investimentos, parcerias estratégicas e projetos inovadores, consolidando a Bahia como polo de mineração responsável e sustentável.”
