Estrada de Ferro Carajás: 40 anos a serviço da mineração e da população local

Mais do que minério de ferro, a EFC transporta commodities e um outro ativo muito precioso: passageiros

Entre as dificuldades com infraestrutura enfrentadas para colocar a mina e a usina em operação, destaca-se a entrega do minério de ferro ao mercado. A solução apontou a criação da Estrada de Ferro Carajás (EFC) pela Vale (à época Companhia Vale do Rio Doce – CVRD), que iniciou as operações em 28 de fevereiro de 1985, cerca de 18 meses antes do prazo previsto, conectando as províncias minerais do Pará ao Terminal Marítimo de São Luís (MA), recebendo a denominação de EF-315.

Quando iniciou suas operações, a Estrada de Ferro Carajás (EFC) tinha capacidade para transportar 35 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro por ano ao longo de 892 km da ferrovia, eram necessárias 68 locomotivas de três mil cavalos de potência e 2.876 vagões, cada um com capacidade para 98 toneladas.

Hoje, essa ferrovia operada pela Vale é uma das maiores e mais importantes do globo, além de liderar o ranking das ferrovias mais eficientes do Brasil graças ao constante investimento em tecnologia. Além disso, a EFC integra-se à Ferrovia Norte-Sul, formando o Corredor Centro-Norte.

Com aproximadamente 1.000 km de extensão, ela conecta Parauapebas (PA) a São Luís (MA), atravessando 28 municípios, constitui-se um dos maiores trens de carga em operação no mundo, com até 330 vagões e comprimento de quase 4 km, e se consolida como importante modal de transporte na Amazônia Legal.

Algumas curiosidades e muita tecnologia marcam a história dessa ferrovia, que tem mais de 70% de toda sua extensão em linha reta e soma 347 curvas, com aclive inferior a 2%. Nela, a circulação é realizada em dias alternados, mas simultaneamente circulam cerca de 60 composições diariamente: tanto trens da Vale, como trens cargueiros, trens de combustíveis e algumas composições de manutenção e reparos, além do trem de passageiros.

Completando quatro décadas de operação, a EFC segue jovem e dinâmica, na liderança entre as ferrovias brasileiras. “São 40 anos investindo em tecnologias avançadas para garantir que nossa operação seja cada vez mais eficiente, sustentável e segura. Hoje, a inteligência artificial já está sendo uma aliada na questão da segurança, que é a base da nossa operação. Em paralelo, iniciamos a jornada de descarbonização, apostando em fontes de energia que melhoram nossa eficiência energética. Acreditamos que essa transformação contínua, sempre aberta a aprender, é essencial para mantermos nossa liderança e excelência”, afirma João Silva Junior, diretor de Operações da ferrovia.

No radar das inovações a serem incorporadas estão inteligência artificial e eficiência energética, que se materializam, por exemplo, na aquisição de locomotivas movidas a bateria, na renovação de parte da frota com locomotivas mais modernas capazes de operar com biodiesel B25, e no uso de inteligência artificial para otimizar a manutenção da frota e ampliar a segurança da operação.
“A Vale faz investimentos contínuos para garantir que a EFC permaneça como referência entre as ferrovias brasileiras. Atualmente, a EFC possui o melhor indicador de segurança entre todas as ferrovias brasileiras, de acordo com os dados da Agencia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)”, frisa Silva Junior.

Classificada pela ANTT como a ferrovia mais segura do Brasil, a EFC é monitorada a partir do Centro de Controle de Operações (CCO), uma instalação de alta tecnologia que funciona 24 horas por dia, nos sete dias da semana, e permite à Vale gerenciar, em tempo real, a circulação de cerca de 60 trens por dia.

Descarbonização e IA

A iniciativa voltada à descarbonização da ferrovia data de julho de 2023, quando a Vale firmou acordo com a Wabtec Corporation para a compra de três locomotivas a bateria FLXdrive. As novas locomotivas serão acopladas ao trem atual, formando a primeira composição ferroviária híbrida do País.

A tecnologia utilizada nas baterias permitirá a recarga a partir da frenagem e economizará até 25 milhões de litros de diesel por ano, reduzindo assim a emissão de carbono em cerca de 63 mil toneladas.

O acordo entre a mineradora e a fabricante de locomotivas foi fortalecido em 2025, com a aquisição pela Vale para a EFC de 14 locomotivas movidas a uma maior mistura de biodiesel, o que reduzirá as emissões de gases de efeito estufa. Citadas entre os equipamentos mais modernos do mercado, essas locomotivas serão produzidas na fábrica da Wabtec no Brasil, na cidade de Contagem (MG), e começarão a ser entregues em 2026.

O uso de inteligência artificial na operação, por outro lado, visa a aumentar a segurança e a eficiência operaciona da EFC. De acordo com o diretor de Operações da EFC, os sistemas de IA “são utilizados para prever falhas nos trilhos e monitorar o desgaste dos rodeiros dos vagões, permitindo manutenção mais assertiva e preventiva, além de auxiliar a empresa no monitoramento inteligente e na redução de riscos em passagens em nível.”

Passageiros: ativo precioso

Ao longo de quase 1.000 km de extensão, a EFC também é utilizada para transporte de pessoas. Em 2024, bateu recorde de usuários, conduzindo 423 mil passageiros, mantendo a taxa de ocupação do trem de passageiros na casa dos 92%.

Em 20 carros utilizados com essa finalidade, segmentados entre classes executiva e econômica, em média, 1.300 passageiros são transportados a cada viagem, volume que, nos meses de pico – janeiro, julho e dezembro – aproxima-se de 2.000 passageiros por viagem.

No ano de 2020, como parte do contrato de antecipação das concessões firmado entre a Vale e o Governo Federal foi estabelecido que, a partir de 2027, o trem de passageiros, em operação desde 1986, terá frequência diária nos dois sentidos, ou seja, serão duas composições, cada uma delas fazendo o sentido contrário no mesmo dia.

Hoje, o trem circula em dias alternados, saindo de São Luís às segundas-feiras, às quintas-feiras e aos sábados, retornando do Pará ao Maranhão nos demais dias, sendo que as quartas-feiras são destinadas à manutenção em São Luís e, portanto, não circula. A viagem, de ponta a ponta, é realizada em 16 horas, com 15 pontos de parada nos dois Estados.

O trem é climatizado e garante aos passageiros confortos como carro restaurante, geradores, ar-condicionado, televisão, fraldário, ambulatório e vagas para PCD (pessoas portadoras de deficiência), além de sala para acolhimento para crianças autistas. Para muitos moradores, o trem de passageiros EFC é o único meio de transporte disponível na época das chuvas, quando muitas estradas ficam inacessíveis para carros e ônibus.

EFC em números

  • 254 locomotivas
  • 15 mil vagões
  • 892 km de extensão
  • 240 milhões de toneladas de minério de ferro (capacidade)
  • Em 2024, a EFC transportou 176,47 milhões de toneladas de minério de ferro; 10,9 milhões de toneladas de grãos; 2,1 bilhões de litros de combustível; e mais de 1 milhão de toneladas de cobre e carvão
  • Além dessas commodities, pelos trilhos da EFC circulam cobre, níquel, bauxita, manganês, ouro, assim como pelotas, combustível, ferro gusa e celulose, entre outros
  • Mais de 1 milhão de pessoas passam, todos os anos, pelas ferrovias da Vale

Curiosidade

A relação da Vale com a ferrovia é profunda e data de sua fundação no início do século XX. Na atualidade, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Vale opera as duas únicas linhas de trens de passageiros interestaduais regulares do País: a EFC e a Estrada de Ferro Vitória a Minas, que conecta Minas Gerais ao Espírito Santo, realizando, diariamente, a rota entre Cariacica (ES) e Belo Horizonte (MG).