Enquanto representante oficial do setor de máquinas e equipamentos, a ABIMAQ mantém fóruns internos de diálogo entre os diferentes segmentos que congrega, a exemplo de Câmaras Setoriais e Conselhos de Mercado. No caso da mineração, o Conselho de Metalurgia e Mineração, que realiza atividades voltadas ao desenvolvimento, integração e competitividade do segmento industrial de metalurgia e mineração brasileiro, representando os interesses das empresas, órgãos públicos, entidades e demais companhias estatais ou privadas relacionadas ao setor.
Rodrigo Franceschini, presidente desse conselho, confirma que as máquinas produzidas no Brasil incorporam tecnologias de ponta que viabilizam operações mais seguras, eficientes e sustentáveis. Como ele explica, “elas ajudam a desatar nós processuais que antes limitavam a produtividade, reduzem o consumo de energia e água, geram menos rejeitos, ou ainda propiciam um melhor reaproveitamento destes rejeitos.”
A diversidade de atividades atendidas pelas máquinas e equipamentos produzidos em território nacional são fundamentais para todo o processo e atendem desde a etapa de geologia e descoberta dos minerais, extração, beneficiamento, embarque do minério e descomissionamento das barragens no ciclo final das operações. Esse universo compreende equipamentos de processo como bombas, válvulas, moinhos, britadores, equipamentos de separação, misturadores, espessadores, máquinas rodoviárias, geradores, motores, transmissão mecânica, Equipamentos de automação, controle de qualidade, ensaios e medição, vedação, limpeza, movimentação e armazenagem de materiais, energia solar, drones e soluções digitais, guindastes, soldas, elevadores, estruturas modulares, são alguns exemplos.
Ponto importante ressaltado por Franceschini compreende os diferentes estágios de maturidade tecnológica, que, em alguns casos, evoluem por demanda das mineradoras, contudo, outro motivador deve sempre ser lembrado: “Há casos em que é justamente a evolução das máquinas brasileiras que abre novas possibilidades para as mineradoras. Essa troca é o que fortalece a cadeia: a indústria nacional não apenas responde às necessidades, ela se antecipa e propõe soluções.”
Democratização do acesso à tecnologia
O presidente do Conselho de Metalurgia e Mineração, convicto de que a indústria brasileira acompanha de perto esses movimentos, desenvolvendo soluções que não apenas atendem às mineradoras, mas as desafiam a evoluir junto, destaca outro aspecto essencial: “E com suporte local, adaptação contínua e engenharia nacional que entende as especificidades do nosso solo, exigências climáticas, normas técnicas e regulamentadoras, inovações e trazendo desenvolvimento para o mercado de trabalho e ambiente de negócios.”
A complexidade desses motores de desenvolvimento tecnológico é proporcional à própria heterogeneidade do setor mineral brasileiro, composto de diversos subsetores — metálicos, não-metálicos, agregados —, com demandas específicas. Em comum – frisa Franceschini, “é visível o aumento da presença de soluções tecnológicas, especialmente entre mineradoras de pequeno e médio portes, e que muitas vezes não tinham acesso a isto.”
Nesse contexto, ponto positivo alinhado pelo presidente deste Conselho é que “a indústria brasileira está conseguindo democratizar o acesso à tecnologia, oferecendo equipamentos robustos, adaptáveis e com excelente custo-benefício. E quando falamos em máquinas nacionais, falamos também em suporte técnico próximo, facilidade de capacitação e integração com a realidade operacional brasileira, além de financiamentos mais atrativos.”
Mercado em desenvolvimento
O mercado também é promissor, em que pese a abrangência e a heterogeneidade da mineração por máquinas e tecnologias e em relação à maturidade tecnológica. “Em alguns determinados nichos o mercado se projeta estável, mas em sua grande maioria espera-se crescimento de 2 dígitos. Há muitos investimentos ainda represados e que não acontecem por uma série de fatores: vários projetos ainda com dificuldade em se viabilizar por falta de investidores, dificuldade e atrasos nas licenças ambientais, alterações nas economias globais e fenômenos como o tarifaço fazem com que alguns dos investimentos previstos sejam colocados em hold por um período”, crê Franceschini.
A diversificação da matriz mineral brasileira, as tendências globais e a alta demanda por minerais estratégicos dão a certeza ao setor industrial de que o mercado se manterá em bom nível nos próximos anos. O fundamental é que a indústria nacional está preparada para atender esse crescimento com tecnologia própria, capacidade produtiva e vantagens competitivas que vão além do preço — como logística simplificada, suporte técnico local e conformidade regulatória.
Entre as áreas em que há espaço para a tecnologia evoluir, o presidente do Conselho de Metalurgia e Mineração alinha automação, inteligência artificial aplicada à operação e à análise de dados, confiabilidade mecânica e eficiência energética, operação remota de equipamentos, inovações em separação mineral, otimização de recursos (hídricos, energéticos, transporte e logística), confiabilidade mecânica, inovações na recuperação de rejeitos e transição energética.

Indústria: parte integrante e estratégica da cadeia mineral
Além dos desafios macroeconômicos, Franceschini entende ser imperioso vencer gargalos estruturais – tributação elevada e infraestrutura deficiente –, e vê a verticalização da cadeia mineral como principal motivador desse salto: “Ao agregar mais etapas de beneficiamento antes da exportação, geramos mais valor por tonelada e impulsionamos a demanda por máquinas brasileiras. Isso fortalece toda a cadeia produtiva, gera empregos qualificados e estimula a inovação local. Uma maior sinergia de toda cadeia com esse objetivo também poderia ser incentivada pela criação de políticas públicas que apoiem esse tipo de desenvolvimento direcionando por exemplo alguns recursos para editais de inovação e/ou que incentivem uma maior verticalização dos processos.”
A esses pontos, somam-se paradigmas a serem rompidos, como a percepção equivocada de que a maioria das máquinas e dos equipamentos utilizados na mineração são importados. Como detalha o presidente do Conselho de Metalurgia e Mineração apenas em algumas fases e ou operações minerais específicas há predominância forte de equipamentos importados. Ou seja, em sua maioria os equipamentos são produzidos no Brasil (ou pelo menos parcialmente), por empresas brasileiras, ou por multinacionais com operação no Brasil, equipamentos esses que são exportados para mais de 200 mercados no mundo.
De qualquer modo, a ABIMAQ e seus associados estão sempre buscando formas de assegurar esta predominância, ou de aumentar esta participação. Obviamente – reconhece Franceschini – um crescimento nesta participação depende de vários esforços, desde uma melhoria nas condições estruturais do País (impostos, infra estrutura, custo Brasil, política de incentivos etc.) até um arrojo maior por parte dos empresários brasileiros em enxergar a mineração como um bom mercado a ser explorado/atendido e como destino de seus investimentos.
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos para mineração não é apenas fornecedora de soluções tecnológicas — ela é parte integrante e estratégica da cadeia mineral. “Produzimos equipamentos com alto valor agregado, adaptáveis às exigências do setor, com suporte técnico local, conformidade regulatória e engenharia nacional capaz de desenvolver soluções sob medida. Mas mais do que isso: somos também consumidores diretos de minerais estratégicos, como aço, cobre, alumínio, terras raras e outros insumos essenciais à fabricação de nossos produtos”, diagnostica o presidente do CMM.
Por isso, há significativo interesse no desenvolvimento sustentável e competitivo da mineração brasileira. O avanço do setor mineral representa também o fortalecimento da indústria nacional, geração de empregos qualificados, inovação tecnológica e aumento da competitividade global do Brasil. É hora de reconhecer que investir em máquinas produzidas aqui é investir no futuro da mineração — e no futuro do País.
Esses pontos não assustam o setor industrial, afinal, como declara Franceschini, “o diferencial da indústria brasileira é justamente a capacidade de adaptar e desenvolver soluções específicas para cada realidade, com flexibilidade e proximidade. Isso permite que as máquinas evoluam junto com a operação, sem se tornarem obsoletas. Políticas públicas nacionais que incentivem o desenvolvimento industrial das máquinas no País também são emergenciais para o incremento da competitividade.”
Um recado importante do presidente do Conselho de Mercado de Metalurgia e Mineração ao mercado vai além da tecnologia e englobam o que Franceschini define como “vantagens práticas que não podem ser ignoradas”, firma-se na convicção do industrial brasileiro de que “adquirir máquinas no Brasil reduz custos logísticos, garante manutenção rápida e reposição de peças com agilidade, além de permitir adaptações tecnológicas ao longo dos anos — evitando a obsolescência precoce. Nossos equipamentos cumprem rigorosamente as normas técnicas e regulatórias nacionais, o que garante maior segurança aos operadores. E mais: oferecemos treinamentos em português, manuais claros, pós-venda próximo e soluções específicas desenvolvidas pela nossa competente engenharia nacional.”
