Mineração: riqueza (ainda) a ser desbravada

Foto em destaque: Mina da Vale em Minas Gerais – Agência Vale

“Há necessidade de pensar a mineração como vetor de desenvolvimento e bem-estar para a sociedade, pois é um setor de riquezas. Hoje, apenas 0,5% do território tem sido destinado ao aproveitamento de recursos minerais, e a produção mineral representa 1,4% do PIB. Temos mais de 80 minerais para serem explorados, sendo que 50 com aproveitamento claro”. Essa declaração de Alexandre Vidigal, secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), dá o tom para os planos em desenvolvimento pelo MME no campo da mineração. A meta é “melhorar a quantidade e a qualidade, pois sabemos do potencial, mas desconhecemos a potencialidade”, reforça

Entre as linhas de trabalho dessa secretaria para “transformar esse patrimônio em efetiva riqueza, focando em minerais nobres – como nióbio, grafita, terras raras, vanádio, lítio – dos quais temos reservas significativas”, está a pesquisa geológica de recursos minerais e a busca de aceleração do processo de outorga, “para permitir que o empreendedor exerça sua atividade”, comentou Vidigal, ao informar a criação de um grupo de trabalho para analisar os trâmites legais, que demoram, no Brasil entre 8 e 10 anos, enquanto no Canadá e na Austrália, por exemplo, são de 2 a 4 anos.

A busca por depósitos minerais mais distantes da superfície, agrominerais e remineralizadores de solos são potenciais que gerarão negócios expressivos também para a indústria

“No momento, cerca de 13 mil projetos estão em análise, e é possível agilizar o processo apenas com informatização. Estamos atuando junto à Agência Nacional de Mineração, criada em dezembro de 2018, para agilizar as outorgas”, destacou o secretário do MME, frisando a necessidade de substituir o conceito de exploração para aproveitamento mineral, “porque sempre estaremos engajados com a sustentabilidade”. Informações da ANM indicam a intenção de, ainda este ano, ofertar no mínimo 1.000 áreas das 20.000 disponíveis, abrindo espaço para novos e vultosos investimentos.

O peso desse posicionamento é significativo, afinal, o Brasil detém 9% de todas as reservas minerais do mundo, “liderando a produção global somente no caso do nióbio. Contudo, ocupamos posição relevante em outros bens minerais, tais como nono lugar no cromo, terceiro na grafita, terceiro no ferro, quarto no caolim, sétimo na rocha fosfática, oitavo no níquel, quinto no estanho e décimo no tungstênio”, afirma Augusto C. B. Pires, coordenador de Projetos da Agência para o Desenvolvimento Tecnológico da Indústria Mineral Brasileira (Adimb).