Mineradoras dependem de máquinas e equipamentos

Seja na mineração subterrânea ou a céu aberto, a extração e o processamento de minérios são processos complexos e multifacetados, que encontram nas máquinas e nos equipamentos auxiliares preciosos em praticamente todas as etapas da operação: desde pesquisa e prospecção, extração, movimentação e estocagem até gestão e controle, passando por controle ambiental, logística e embarque, e manutenção e suporte às operações.

Sexta maior produtora de ouro do mundo, a AngloGold Ashanti é a única empresa no País a integrar todas as etapas de produção de ouro, da pesquisa mineral, lavra e beneficiamento até fundição e refino do ouro em barras. Nos resultados globais, a mineradora recebe da unidade do Brasil contribuição significativa para esse posicionamento, sendo responsável por uma parcela relevante da produção nacional de ouro, consolidando-se como uma das maiores mineradoras do País.

A AngloGold Ashanti produziu 1,524 milhão de onças de ouro em suas operações globais no primeiro semestre de 2025. No Brasil, a produção entre janeiro e junho totalizou 152 mil onças. Já a divisão latino-americana da companhia, que inclui as operações no Brasil e na Argentina, somou 246 mil onças no período.

Para atendimento desses resultados, a indústria de máquinas e equipamentos é fundamental para garantir segurança, eficiência e produtividade. “Desde equipamentos móveis pesados até sistemas de automação e monitoramento, a contribuição dessas máquinas permite operações mais seguras e eficazes, além de possibilitar inovações tecnológicas contínuas”, reconhece Luís Otávio de Lima, presidente da AngloGold Ashanti, fortalecendo seu comentário com a informação de que a mineradora opera a mais profunda mina subterrânea do País, a Mina Cuiabá, localizada em Sabará (MG).

Essa unidade, alcança “mais de 1.600 metros de profundidade, sendo o ponto continental mais profundo do Brasil. Em sondagens, já foi identificado ouro a mais de 2.400 metros de profundidade, quase três vezes a altura do prédio mais alto do mundo, o Burj Khalifa, em Dubai, com seus 828 metros”, compara Lima, agregando à complexidade da operação o fato de que o local abriga “extensa rede de galerias subterrâneas em forma de espiral, com 330 km no total e 26 km apenas na rampa principal. É literalmente uma cidade sob nossos pés.”

O presidente lista alguns exemplos inovadores de uso das máquinas na AngloGold Ashanti. Um deles é o telerremote, que permite que equipamentos móveis pesados sejam operados por uma pessoa na superfície, enquanto o equipamento atua no subsolo. Essa medida visa a evitar a exposição do operador a determinados riscos, considerando as condições da área em operação. Todo o controle é realizado remotamente, a partir da superfície. 

Lima agrega, também a primeira sonda de circulação reversa RC da América Latina para operações subterrâneas, instalada em 2025 na mina Cuiabá: “A chegada do equipamento representa um marco inédito para a companhia: pela primeira vez, uma sonda RC será utilizada em operações subterrâneas na América do Sul”, comemora, explicando que o equipamento tem capacidade “de dobrar a produtividade, quando comparado aos modelos usados atualmente. Outro diferencial da sonda é que ela amplia a representatividade das amostras coletadas, o que contribui para melhoria da qualidade dos modelos geológicos.   

Inovação e sustentabilidade com redução de emissões também são premissas na operação das minas. Na AngloGold Ashanti, por exemplo, um scanner dinâmico realiza o monitoramento geomecânico via feixes de laser que escaneiam as escavações subterrâneas e geram imagens em 3D com precisão. “Ele é utilizado para avaliar como está a estrutura da rocha e se houve alguma movimentação ou mudança nas características naturais do maciço rochoso”, esclarece o CEO da unidade brasileira.

A redução de emissões de gases poluentes e do calor gerado na operação conta com a contribuição de uma carregadeira elétrica que – assegura Lima – “é a primeira utilizada em subsolo no Brasil.” Devido às suas características, o equipamento contribui para um ambiente subterrâneo mais seguro e confortável, além de favorecer o cumprimento do compromisso da AngloGold Ashanti com a redução das emissões de gases de efeito estufa. O executivo constata que a mineradora registrou resultado expressivo nesse sentido: “redução de 63% em relação ao ano-base 2021. Esse avanço foi alcançado por meio da intensificação do uso de energias renováveis, que já representam 60% da energia consumida pela companhia, da modernização tecnológica das plantas industriais e da eletrificação das frotas operacionais”,

Iniciativas inovadoras como a dessa carregadeira elétrica fazem parte de um esforço mais amplo de eletrificação da frota e diminui a dependência de combustíveis fósseis como parte do compromisso da empresa com a neutralidade de carbono até 2030. “Avançamos na ampliação do uso de energias renováveis, substituindo geradores a diesel por sistemas mais eficientes e sustentáveis”, cita o CEO.

A consciência de que inovação não é custo, mas instrumento de resiliência e vantagem competitiva, impulsionando a evolução gradual e consistente do negócio e criando um ambiente propício a novas ideias, permeia a atividade de mineradoras como a AngloGold Ashanti, afinal, “em um ambiente complexo como a mineração subterrânea, a tecnologia é crucial para segurança, custo e produtividade”, reconhece o CEO, assegurando que “estamos comprometidos em impulsionar inovação, segurança e desenvolvimento socioeconômico sustentável. E reafirmamos nosso compromisso em atuar como agentes de transformação, unindo inovação e responsabilidade para fortalecer nosso propósito: “mineração para desenvolver pessoas e a sociedade.”

Referência na produção de lítio, a Companhia Brasileira de Lítio (CBL) – como diz Albert Neves Viegas da Silva, gerente Corporativo de Suprimentos da mineradora – reconhece a importância da contribuição que a operação recebe da indústria de máquinas e equipamentos, seja com equipamentos de segurança, monitoramento, contenção, comunicação, perfuração, extração, carregamento, transporte, ventilação, drenagem, fornecimento de energia e outros, “imprescindíveis ao nosso processo de lavra subterrânea, primeiro por questões de segurança de nosso time, monitorando e eliminando ações manuais, depois pela agilidade no processo produtivo.”

Silva comenta que nos últimos 4 anos, consoante ao crescimento acentuado da produção da CBL, a mineradora investiu na aquisição de diversos equipamentos, em especial com “atualizações de tecnologias e testes em marcas novas, o que vem proporcionando em termos de segurança e operação, diversos avanços. Estamos sempre atentos ao que se tem de melhor no mercado e que atenda as nossas necessidades”, explica.

Lembrando que mesmo com a companhia “trabalhando com as principais e maiores marcas do mercado”, as necessidades são crescentes e, por exemplo, além de performance, a CBL busca excelência em um “bom pós-venda: entrega técnica, treinamento para time, peças de reposição no estoque do cliente, bons programas de manutenção preventiva, custos de peças e manutenção”, resume o gerente Corporativo de Suprimentos, principalmente quando leva em conta os investimentos previstos: “A CBL atualmente estuda um processo de expansão saindo da capacidade atual de 50.000 t anuais para 110.000 t de espodumênio. Dentro deste cenário estamos sim contemplando aquisições de máquinas e equipamentos móveis modernos e automatizados que proporcionem maior segurança e otimização para nossos colaboradores e processo.”

Reforçando o exposto pelo CEO da AngloGold Ashanti, Rodrigo Freitas, diretor de Engenharia e Serviços Técnicos da Mineração Taboca alega que “a mineração moderna é essencialmente uma atividade mecanizada, na qual a eficiência, segurança e viabilidade econômica dependem diretamente de qualidade, confiabilidade e adequação dos equipamentos utilizados em cada etapa do processo.”

O executivo da mineradora de estanho complementa: “A indústria tem fornecido soluções cada vez mais automatizadas, incluindo sistemas de controle remoto, mineração autônoma, sensores inteligentes e programas de otimização de processos. Essas inovações melhoram a segurança operacional, reduzem a necessidade de mão de obra em áreas de risco e aumentam a precisão das operações.”

Sustentabilidade e eficiência energética, ou seja, equipamentos elétricos e zero emissão; gestão inteligente de recursos hídricos; automação avançada e operação remota; equipamentos totalmente autônomos; processamento mineral inteligente; controle ambiental integrado; manutenção preditiva e vida útil estendida; equipamentos autorreparáveis; flexibilidade operacional; segurança avançada; conectividade e integração, são algumas das necessidades críticas que as máquinas e equipamentos da mineração ainda precisam atender, reivindica Freitas, consciente de que a evolução mostra clara transição de equipamentos que simplesmente substituíam a força humana para sistemas inteligentes, que amplificam a capacidade humana de análise, decisão e controle.

“A mineração na atualidade é cada vez mais uma atividade de alta tecnologia, na qual a competitividade depende da capacidade de integrar e otimizar sistemas complexos por meio da tecnologia digital”, constata o diretor de Engenharia e Serviços Técnicos da Taboca, ao reconhecer que “ a evolução necessária aponta para equipamentos que não apenas executem tarefas, mas que sejam parte de um ecossistema inteligente, sustentável e altamente integrado, capaz de otimizar toda a cadeia de valor mineral de forma autônoma e responsável.”