O fortalecimento da indústria brasileira e a busca por um lugar de destaque no cenário global de tecnologia embasaram a realização da Pesquisa de Inovação da Indústria de Máquinas e Equipamentos, levantamento resultante de cooperação entre a ABIMAQ e o FI Group, consultoria global especializada em gestão de incentivos fiscais e fomento à inovação.
Os resultados do estudo – apresentados durante o ABIMAQ Inova, por Anitta Dedding, gerente Divisional de Tecnologia e Inovação da ABIMAQ, e por Rafael Costa, diretor do Hub Latam do FI Group – traçam perfil detalhado da maturidade tecnológica das empresas brasileiras, abrangendo “168 empresas do nosso setor, distribuídas entre micro, pequenas, médias e grandes empresas”, explicou Dedding, destacando que a distribuição geográfica dos respondentes acompanhou fielmente a própria estrutura produtiva da indústria nacional.
A integração entre o micro (a inovação na fábrica) e o macro (a economia do País) foi enfatizada por Rafael Costa ao explicar que “os dados coletados confirmam a forte relevância entre o índice de complexidade de desenvolvimento econômico e a inovação tecnológica.”
Nesse sentido, para Costa, o avanço do Brasil depende diretamente da manutenção de um ecossistema que incentive o risco tecnológico. “Parte do desenvolvimento de inovação de um país passa preponderantemente pelas políticas públicas de fomento à inovação”, defendeu o executivo, citando a importância de instrumentos como a Lei do Bem, os recursos da Embrapii e o apoio da Finep para sustentar o investimento privado em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).
Busca por eficiência
A pesquisa também teve como meta desmitificar o conceito de inovação, mostrando que ela nem sempre reside em tecnologias disruptivas ou futuristas, mas em melhorias incrementais que geram ganhos reais de produtividade, ou, como enfatizou Dedding, “a inovação pode se manifestar de formas variadas, agregando valor tanto ao produto final quanto ao método de fabricação. Inovação é tornar as máquinas mais leves, tornar as máquinas com menos peças, partes e componentes, para poder não só reduzir a fabricação desse produto, mas também o processo de fabricação.”
Dessa forma, voltar o olhar à simplificação e à otimização é o que permite às indústrias brasileiras competirem com mercados internacionais, reduzindo custos sem renunciar à qualidade técnica”, alertou a gerente Divisional de Tecnologia e Inovação da ABIMAQ.
Mais do que uma fotografia do setor, a Pesquisa de Inovação tem o objetivo de servir como bússola para futuras políticas públicas. Costa enfatizou que o FI Group e a ABIMAQ pretendem utilizar essas evidências para dialogar com esferas governamentais e órgãos reguladores: “Temos como pauta levar esses dados para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), para a Embrapii, para a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O objetivo é ajudar e, de certa forma, corroborar a importância dos mecanismos de fomento como fator relevante para o setor industrial.”
A conclusão decorrente do estudo, como informado por Dedding e Costa, reforça a tese de que o caminho para uma indústria dinâmica e um PIB robusto passa pela colaboração estratégica. A publicação oficial dos dados confere às empresas do setor um parâmetro claro de comparação e um incentivo adicional para intensificar suas agendas de inovação. Sinaliza, ainda, o compromisso de transformar os dados em projetos reais que coloquem o setor de máquinas e equipamentos no centro do desenvolvimento econômico nacional.
