A ABIMAQ e o SINDIMAQ, em comunicado à imprensa, informaram, em 19 de janeiro que acompanham com atenção os recentes avanços rumo à assinatura do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia e reafirma seu posicionamento favorável à ampliação da inserção internacional da indústria brasileira.
Segue a íntegra do comunicado:
“A entidade reconhece a importância do Acordo como instrumento para ampliar o acesso a mercados, integrar o Brasil às cadeias globais de valor e criar oportunidades para o Brasil e para o setor de máquinas e equipamentos. O acordo é uma grande oportunidade para os produtores de bens e serviços brasileiros atingirem um universo de aproximadamente 720 milhões de consumidores e 22 trilhões de dólares de PIB.
“No caso da indústria de transformação, cuja estrutura europeia é mais competitiva do que a do Mercosul, a ABIMAQ destaca que a simples assinatura do Acordo não garante o aumento das exportações brasileiras de bens manufaturados. Sem ganhos efetivos de competitividade, existe o risco de aumento do saldo negativo da balança comercial de manufaturados entre o Brasil e a União Europeia. Se a balança comercial total entre o Brasil e a União Europeia é neutra, próximo de zero, a balança comercial de manufaturados é altamente negativa ao Brasil, superando os 25 bilhões de dólares de déficit anual.
“A observância das regras de origem assume papel central para assegurar que os benefícios do Acordo sejam direcionados às indústrias efetivamente instaladas nos países do Mercosul e da União Europeia.
“Os prazos de desgravação, isto é, para a redução progressiva das tarifas de importação, previstos no Acordo, para o setor industrial é longo. O prazo para máquinas e equipamentos, varia entre 10 e 15 anos. Os vários prazos para os setores da indústria devem ser compreendidos como uma janela estratégica para a implementação de reformas estruturais. Esse período oferece ao Brasil a oportunidade de mitigar os fatores que aumentam o custo de produção no País: implementar reformas, buscar o equilíbrio macroeconômico, diminuir a complexidade e a carga tributária, melhorar o ambiente jurídico e regulatório, criar condições para a redução estrutural das taxas de juros e fortalecer a competitividade da indústria nacional.
“A ABIMAQ defende que a abertura comercial deve caminhar de forma equilibrada com uma agenda consistente de reformas internas e de competitividade. O aprimoramento do ambiente econômico é fundamental para atrair investimentos, elevar a produtividade, gerar empregos de qualidade e permitir que o país deixe de ser apenas fornecedor de produtos primários, avançando na agregação de valor e no fortalecimento de sua base industrial.
“Tendo em vista que seus efeitos serão percebidos a médio e longo prazo, a entidade reforça que o Acordo Mercosul–União Europeia representa uma grande oportunidade, mas seu sucesso dependerá diretamente da capacidade do Brasil de realizar mudanças internas e transformar o período de transição em uma oportunidade para ganhos concretos de competitividade para a indústria brasileira.”
