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ADIMB: 30 anos na promoção da indústria mineral brasileira

A motivação para a criação da ADIMB, seus objetivos, atividades desenvolvidas em prol do desenvolvimento do setor mineral brasileiro e, mais especificamente, neste momento de efervescência devido às reservas de terras raras e minerais críticos, são alguns dos pontos enfocados pelos representantes da associação, nesta entrevista exclusiva. Projetos em andamento e previsões para os próximos anos também são apresentados.

Criada em 1996, a ADIMB congrega 52 empresas associadas, incluindo majors e juniors de pesquisa mineral e mineração, fornecedoras de produtos, máquinas e serviços à indústria mineral, e empresas de consultoria, além de contar com órgãos governamentais e entidades na sua governança.

Nesta entrevista exclusiva, Mario R. Caramori Borges, presidente do Conselho Superior, Roberto Perez Xavier, diretor Executivo, e Augusto Pires, gerente de Projetos, falam sobre a entidade e os 30 anos de atuação em prol da mineração brasileira.

Confira!

O que levou à criação da ADIMB?
Mario Caramori:
A ADIMB foi fundada em 9 de julho de 1996, originalmente com a denominação de Agência para o Desenvolvimento Tecnológico da Indústria Mineral Brasileira, em assembleia nas dependências do Ministério de Minas e Energia, na presença de um número expressivo de empresas do setor mineral e órgãos governamentais em níveis federal e estadual. A sua fundação se deveu principalmente à necessidade de o Brasil contar com uma agência específica capaz de identificar necessidades de pesquisa e desenvolvimento e de capacitação de recursos humanos no setor mineral para alavancar o desenvolvimento do setor mineral, em especial por meio da intermediação entre a indústria, órgãos governamentais, e universidades.

Quais os objetivos fundamentais da ADIMB?
Roberto Xavier:
A ADIMB em 2019 mudou sua designação social para Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (continuando ADIMB), mantendo as mesmas premissas originalmente estabelecidas no plano estratégico do estatuto de fundação: entidade privada, sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, técnica e financeira, constituída por uma associação de empresas e instituições do setor mineral, com a missão de promover o desenvolvimento técnico-científico e a capacitação de recursos humanos para a indústria mineral brasileira.
A ADIMB atua principalmente em três frentes: a primeira diz respeito aos profissionais do setor mineral, sempre buscando seu desenvolvimento e exposição às melhores práticas, tendências de mercado e novas possibilidades de atuação. Num mundo em transformação intensa, há a preocupação em preparar nossos profissionais para as transformações em curso na sociedade e no setor mineral. A segunda frente diz respeito ao aumento do intercâmbio e relações de troca entre os profissionais dos setores público e privado, através de eventos nacionais e internacionais, seminários e expedições internacionais. Por último, a terceira frente de atuação diz respeito à identificação de tendências, processos e tecnologias que representem inovação para o setor mineral no País, em particular no cenário geopolítico atual, e foquem no papel vital da mineração para a transição energética.
Atualmente, a ADIMB reúne um conjunto de 52 empresas associadas, incluindo majors e juniors de pesquisa mineral e mineração, fornecedoras de produtos, máquinas e serviços à indústria mineral, e empresas de consultoria, além de contar com órgãos governamentais e entidades na sua governança.

Quais as principais atividades desenvolvidas pela ADIMB ao longo desses 30 anos em prol do desenvolvimento do setor mineral brasileiro?
Augusto Pires –
A ADIMB sempre desenvolveu uma grande diversidade de ações, seguindo seu plano estratégico, revisitado em 2018, e em sintonia com as demandas do setor mineral, ao longo destes 30 anos. Algumas de suas principais atividades incluem quatro eixos principais.
1 – Identificar, viabilizar e coordenar a execução de projetos colaborativos de PD&I entre empresas, instituições de pesquisa governamentais e universidades. A ADIMB atua justamente como ponte entre esses diferentes atores, reduzindo a distância entre pesquisa e aplicação prática.
2 – Organizar cursos de aperfeiçoamento para profissionais do setor mineral em temas considerados como atuais e demandados na pesquisa mineral e mineração do País. Recentemente, a ADIMB criou em parceria com o Ibmec o MBA em Gestão de Recursos Minerais, que chegará à sua terceira turma em 2027.
3 – Promoção de simpósios (por exemplo, Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral – SIMEXMIN – bienal), workshops, seminários e encontros (como o Encontro de Executivos do Setor Mineral – anual) para discussão de temas relevantes para o setor.
4 – Maior visibilidade do setor mineral do Brasil, apresentando em diversos fóruns internacionais, casos de sucesso e oportunidades de negócio disponíveis no País. Neste caso a ADIMB é responsável pela participação da delegação brasileira e suas atividades no Prospectors & Developers Association of Canada (PDAC) anualmente em Toronto (Canadá), além de participar em outros eventos internacionais como o proExplo (Peru), Latin Rocks (Chile) e International Mining and Resurces Conference (IMARC – Austrália).

A mineração brasileira vive um momento de efervescência, também em função das reservas de terras raras e minerais críticos. Qual o papel e a contribuição da ADIMB nesse cenário?
Augusto Pires –
A mineração brasileira atravessa um dos momentos mais promissores das últimas décadas. A combinação entre a crescente demanda mundial por minerais críticos e terras raras, impulsionada pela transição energética, pela eletrificação da economia, pela digitalização e pelas tensões geopolíticas, colocou o Brasil em posição estratégica. O País possui algumas das maiores reservas mundiais de alumínio, terras raras, nióbio, grafita, níquel e outros minerais essenciais às cadeias industriais do futuro. No entanto, tem avançado muito lentamente na integração das cadeias produtivas dos minerais da transição energética, com a ausência ou baixa produção de insumos com maior valor agregado.
Nesse contexto, a ADIMB tem atuado como articuladora do ecossistema brasileiro de conhecimento, inovação e investimentos em pesquisa mineral, por meio de projetos colaborativos empresa – universidades – instituições governamentais, reduzindo a distância entre pesquisa e aplicação prática.
Mais importante ainda é que a ADIMB tem defendido uma visão estratégica: o Brasil não deve limitar-se a ser fornecedor de matéria-prima, mas deve buscar agregar valor aos seus recursos minerais por meio do desenvolvimento tecnológico, do processamento mineral, da metalurgia, da fabricação de materiais avançados e da inserção nas cadeias globais de maior valor agregado. Essa visão está alinhada ao debate internacional sobre minerais críticos, que envolve não apenas disponibilidade geológica, mas também inovação, segurança de suprimento e desenvolvimento industrial.

Entre os projetos colaborativos em andamento, quais podem ser destacados? Quais os diferenciais desses projetos?
Roberto Xavier –
No atual cenário mineral do Brasil e seu posicionamento no contexto geopolítico, a ADIMB entende ser fundamental a interação entre empresas, universidades e entidades governamentais para se desenvolver mecanismos de pesquisa, desenvolvimento e inovação ao longo da cadeia produtiva dos projetos minerais, incluindo a pesquisa, extração, beneficiamento e transformação mineral. Enquanto essa parceria é bastante comum em países mineradores como Austrália e Canadá, no Brasil ela ainda permanece bastante aquém do esperado.
A ADIMB tem contribuído para potencializar essa interação promovendo projetos colaborativos empresa – universidades – entidades governamentais, a exemplo dos realizados com a VALE SA (2021 – 2026), OZ Minerals/CoreX Holding (2021 – 2025) e Centaurus Metals (2021 – 2026) no estudo de depósitos de cobre – ouro- níquel na Província Mineral de Carajás (PA) e Meteoric Resources (2023 -2027) em depósitos de terras raras no Complexo Alcalino de Poços de Caldas (MG).
A ampliação dos conhecimentos geológicos e aplicação de novas tecnologias nestes projetos têm contribuído para diminuir incertezas na avaliação econômica dos ativos minerais destas empresas, assim como na avaliação do potencial para a expansão de novos alvos nessas províncias. Esses projetos também contribuíram para capacitar profissionais, em nível de mestrado e doutorado, tanto nas empresas envolvidas, como também nas universidades executoras das pesquisas.

O que o setor minerário pode esperar para os próximos anos?
Mario Caramori –
O setor mineral vive um momento de grande otimismo para os próximos anos, em um cenário amplamente positivo tanto no Brasil quanto no mundo. O crescimento da demanda por minerais essenciais para a transição energética, eletrificação da economia, mobilidade sustentável e desenvolvimento tecnológico deverá impulsionar novos investimentos, fortalecer cadeias produtivas e ampliar oportunidades de geração de valor para a sociedade.
Nesse contexto, o sucesso da indústria mineral dependerá cada vez mais da sua capacidade de combinar competitividade, inovação e responsabilidade socioambiental. O investimento contínuo na capacitação humana será um diferencial estratégico, preparando profissionais para atuar em um ambiente cada vez mais digital, integrado e orientado por dados. Tecnologias como inteligência artificial, automação, processamento avançado de dados e modelagem preditiva tendem a transformar as etapas de exploração, desenvolvimento e operação dos projetos minerais.
Ao mesmo tempo, a sustentabilidade seguirá como pilar central para o crescimento do setor. O fortalecimento das práticas ambientais, a gestão responsável dos recursos naturais, o relacionamento transparente com as comunidades e a busca por soluções de menor impacto serão fatores fundamentais para garantir a legitimidade e a longevidade dos empreendimentos.
Outro aspecto que ganhará ainda mais relevância será a integração entre empresas, universidades, centros de pesquisa e instituições governamentais. A colaboração entre esses agentes permitirá acelerar a inovação, desenvolver novas tecnologias, formar talentos e promover soluções capazes de tornar a mineração mais segura, eficiente e sustentável. Com recursos minerais expressivos, competência técnica reconhecida e potencial de inovação crescente, o Brasil tem condições de assumir um papel cada vez mais estratégico no futuro da mineração global.

O que a ADIMB anseia para o futuro?
Mario Caramori –
A ADIMB almeja um futuro pautado pela inovação, colaboração e fortalecimento contínuo do setor mineral brasileiro. Busca consolidar-se como uma referência na integração entre empresas, academia, governo e sociedade, promovendo conhecimento, desenvolvimento tecnológico e formação de novas lideranças. A instituição anseia ampliar sua contribuição para uma mineração cada vez mais eficiente, inovadora, sustentável, responsável e alinhada às melhores práticas ambientais, sociais e de governança. Também pretende estimular a competitividade do Brasil no cenário global, fomentando a pesquisa mineral, a atração de investimentos e a descoberta de novos recursos, sempre gerando valor para o país, comunidades e para as futuras gerações.


Mário Rezende Caramori Borges

Presidente do Conselho Superior da ADIMB na gestão 2026 – 2028, é geólogo com ampla experiência internacional em exploração mineral, atuando em projetos greenfield, brownfield e em operações no Brasil, Peru, Chile, Equador, Argentina. Atualmente, exerce a função de Discovery Manager Brazil, na Anglo American, para pesquisa mineral de cobre e ferro, empresa em que também atua como Project Support Manager – Andes, quando liderou a gestão orçamentária, governança financeira, JVs e interface estratégica com áreas legais, contábeis, técnicas e comunitárias. Antes disso, esteve por onze anos na Nexa Resources, entre Brasil e Andes, tendo exercido, como último cargo, a função de Corporate Chief of Exploration, responsável por projetos greenfield e brownfield no Peru e no Equador, respondendo pela coordenação de equipes multidisciplinares para os avanços técnicos do portfólio exploratório da companhia. Sua formação acadêmica inclui graduação em Geologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Mestrado em Geologia Econômica pela Universidade de São Paulo (USP), MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), MBA em Gestão de Projetos pela Universidade Norte do Paraná Unopar) e, atualmente, é doutorando na Universidade de Brasília (UnB).


Roberto Perez Xavier

Diretor-executivo da ADIMB, é geólogo e professor titular na Área de Geologia Econômica do Departamento de Geologia e Recursos Naturais do Instituto de Geociências (IG) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No IG/Unicamp, ocupou os cargos de Diretor Associado, de 1997 a 2005, e de Diretor da Unidade, de 2013 a 2017, atuando, desde a sua aposentadoria, em 2020, como professor colaborador. Foi professor visitante no Economic Geology Research Unit (EGRU) da James Cook University (Townsville – Austrália) de julho de 2007 a maio de 2008; e de 2016 a 2020, na Society of Economic Geologists (SEG), ocupou a posição de representante para a América do Sul e de conselheiro no Education and Training Committee daquela instituição. Recentemente foi eleito como membro do Conselho da SEG para o biênio 2024-2026. Foi agraciado com os prêmios “Reconhecimento Acadêmico Zeferino Vaz” em 2011, pela Unicamp, e “Pandiá Calógeras” pela Sociedade Brasileira de Geologia (SBG), em 2024, em reconhecimento à sua contribuição para o desenvolvimento do setor mineral brasileiro e promoção da Geologia nacional. Atualmente atua como consultor e sócio-proprietário da RPX Consultoria Geológica.


Augusto César Bittencourt Pires

Gerente de Projetos da ADIMB desde 2012, é geólogo, formado em 1968 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1971, concluiu o curso de especialização em Geofísica pela Universidade Federal da Bahia. Na Colorado School of Mines, em 1975, obteve o título de PhD em Geofísica, e em 1989, Pós-Doutorado em Geofísica. De 1975 a 1977, trabalhou na Encal Consultores Associados, no Rio de Janeiro (RJ), e em maio de 1977, foi para o Observatório Nacional, à época um instituto do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). De fevereiro de 1981 a março de 1997, devido à transferência para a Administração Central do CNPq, em Brasília (DF), sucessivamente, exerceu as funções de supervisor de Geociências; coordenador de Ciências Exatas e da Terra; superintendente de Ciências Exatas e da Terra; e diretor de Programas. Cedido pelo CNPq, exerceu as funções de diretor de Programas de junho de 1989 a fevereiro de 1990 da Capes, e de coordenador de Políticas e Planos do Ministério da Ciência e Tecnologia de março a outubro de 1990. Foi consultor legislativo do Senado Federal de março de 1997 a março de 1999, quando se aposentou. Em paralelo, em abril de 1982, foi Professor Adjunto da Universidade de Brasília, em tempo parcial e, após concurso público, tornou-se Professor Titular do Instituto de Geociências, de onde se aposentou em 2012.