Com a recente sanção da Lei 15.042/2024, que cria o SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa), a conformidade ambiental ganhou peso direto no balanço corporativo. A definição de limites rígidos de cotas exige que as indústrias façam a transição de um modelo reativo para uma abordagem consultiva de processos.
Para o COO e diretor de Operações da Clark Solutions, Alexandre Bastida, a adaptação exige inteligência de engenharia para gerar valor real ao negócio. Segundo o profissional, gerir as emissões industriais na fonte elimina custos invisíveis no ecossistema produtivo e fortalece a competitividade.
A partir dessa visão, a Clark Solutions elenca três passos para que a indústria transforme obrigações regulatórias em novas fontes de receita:
- Focar na engenharia consultiva de ponta a ponta
O foco das empresas não deve ser a simples compra de equipamentos isolados. O primeiro passo é diagnosticar a origem dos efluentes dentro da planta fabril. Historicamente vista como custo regulatório, essa gestão inicial permite mapear onde estão os gargalos que geram despesas e emissões desnecessárias.
- Integrar tecnologias sob medida
Com o diagnóstico em mãos, o passo seguinte é aplicar soluções tecnológicas específicas e em ambientes controlados. Soluções focadas na lavagem de gases, no reúso de água e na recuperação de bioenergia trazem previsibilidade à operação e transformam o que seria despesa em eficiência operacional.
- Proteger ativos e monetizar as reduções
Ao reter os efluentes na fonte e integrar tecnologias, a indústria protege os ativos, o que evita a corrosão de tubulações e bombas e a depreciação antecipada. Além de reduzir custos operacionais ocultos, a redução comprovada de GEE (Gases de Efeito Estufa) permite a obtenção de CRVE (Certificados de Redução Voluntária de Emissões), um passo que protege as margens corporativas e gera nova receita.
A adoção desses passos pelas plantas é determinante para a economia e para o avanço do saneamento básico no Brasil. Um levantamento da MIT Technology Review aponta que a ausência de tratamento de efluentes industriais na fonte é responsável por 88% das emissões operacionais das companhias de saneamento. Efluentes lançados sem tratamento liberam metano e dióxido de carbono, além de acelerar a degradação precoce das redes públicas e privadas.
Por outro lado, o tratamento tecnológico em ambientes controlados traz previsibilidade operacional e pode evitar a emissão de até 9,1 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente até 2050 apenas no estado de São Paulo.
Dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria) e do Instituto Trata Brasil indicam que o setor de saneamento, rumo às metas de universalização de água e esgoto, pode injetar até R$ 1,4 trilhão na economia brasileira, com retorno de R$ 3,1 bilhões para cada R$ 1 bilhão investido. Contudo, a sustentabilidade financeira dessa expansão depende diretamente de um controle ambiental rigoroso nas plantas fabris.
“Ao diagnosticar a origem dos efluentes e integrar tecnologias sob medida, a indústria protege os ativos, reduz custos operacionais ocultos e transforma obrigações regulatórias em novas fontes de receita”, destaca Alexandre. Gerir as emissões na fonte significa, portanto, proteger o saneamento e assegurar o retorno dos investimentos em infraestrutura do país.











