O mercado de capitais brasileiro amplia sua participação no financiamento da transição energética ao conectar investidores a projetos de descarbonização, geração de energia limpa e adaptação às mudanças climáticas. O movimento ocorre em um cenário de forte atividade no setor. De janeiro a agosto de 2026, as ofertas no mercado de capitais somaram R$ 485,8 bilhões, o maior volume registrado para o período desde o início da série histórica, em 2012.
A contribuição para a infraestrutura também se destaca. Entre 2018 e 2025, as debêntures incentivadas movimentaram aproximadamente R$ 497,1 bilhões. Desse total, 86% foram destinados a projetos de infraestrutura. O segmento de energia elétrica respondeu por cerca de R$ 182,1 bilhões, o maior volume entre os setores analisados.
Os dados mostram a relevância do mercado de capitais para a expansão e a modernização da matriz energética brasileira. Títulos de renda fixa sustentáveis, fundos com estratégias ESG e outros instrumentos financeiros também contribuem para mobilizar recursos privados destinados a projetos com impactos ambientais e sociais positivos.
Esses instrumentos ampliam a necessidade de aprimoramento da governança, da mensuração de resultados e da transparência das informações divulgadas pelas empresas. A adoção de critérios e métricas consistentes fortalece a avaliação dos riscos, reduz o risco de greenwashing e oferece maior segurança aos investidores.
O mercado de carbono representa uma frente adicional de desenvolvimento. Instituído pela Lei nº 15.042/2024, o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões prevê a negociação da Cota Brasileira de Emissões, a CBE, e do Certificado de Redução ou Remoção Verificada de Emissões, o CRVE.
A regulamentação desse mercado, com métricas padronizadas, regras claras e segurança jurídica, pode aproximar a agenda climática das decisões de investimento e ampliar a participação do Brasil nas finanças sustentáveis.
Estudos citados na agenda da Anbima estimam que a precificação do carbono pode contribuir para um crescimento de 2,24% do PIB brasileiro até 2030. A estimativa associa a transição energética a oportunidades de desenvolvimento econômico, inovação, geração de empregos e aumento da competitividade em setores como energia, indústria, agricultura e infraestrutura.
“A transição energética exige escala, previsibilidade e capacidade de transformar projetos sustentáveis em oportunidades financiáveis. O mercado de capitais contribui para esse processo ao aproximar empresas, investidores e formuladores de políticas públicas, com transparência, integridade e padrões capazes de dar segurança às decisões de longo prazo”, afirma Luiz Pires, gerente de sustentabilidade e inovação na Anbima.
A Anbima contribui para o desenvolvimento desse ambiente por meio de guias de boas práticas, iniciativas de educação e qualificação profissional, articulação com reguladores e participação em debates nacionais e internacionais sobre sustentabilidade e mercado de carbono.
Em 2026, a entidade também participou de agendas de mobilização de capital privado para a transição climática, incluindo o II Fórum de Finanças Sustentáveis e a London Climate Action Week.











