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Artigo: Agrishow, o desafio da logística sustentável em uma cidade temporária

Por Liliane Bortoluci é diretora da Informa Markets, organizadora da Agrishow, a principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina.

Muito se fala sobre o tamanho do agronegócio brasileiro, responsável por cerca de metade das exportações do país e por um crescimento de 11,7% do Produto Interno Bruto (PIB) setorial em 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Parte dessa dinâmica também aparece nas grandes feiras de tecnologia agrícola, que se tornaram espaços não apenas para as empresas anunciarem lançamentos, mas também para que possam gerar negócios e continuar movimentando o setor.

Em eventos como a Agrishow, que é a principal feira de tecnologia agrícola da América Latina e um espaço estratégico que reúne quase 200 mil visitantes em cinco dias e movimenta bilhões de reais em intenções de negócios, essa dimensão fica evidente.

Entretanto, para que tudo isso aconteça, é preciso montar em pouco tempo uma estrutura que funcione como uma verdadeira cidade temporária, com energia, serviços, coleta de resíduos, alimentação e espaço para a circulação de milhares de pessoas. E tudo isso precisa ser feito de maneira sustentável, assim como o próprio agronegócio, que vem investindo cada vez mais em sustentabilidade. A chamada logística verde vem orientando decisões relacionadas à montagem de estruturas, ao transporte de materiais e à destinação de resíduos.

Em feiras do tamanho da Agrishow, centenas de toneladas de materiais são geradas ao longo da realização do evento. Isso exige sistemas estruturados de triagem e separação, capazes de encaminhar recicláveis, orgânicos e outros materiais para destinos adequados. Conceitos como economia circular e logística reversa ganham ainda mais tração. A cada ano cresce também a preocupação com a reutilização de materiais utilizados na montagem de estandes e o uso de estruturas temporárias, que podem ser reaproveitados ou direcionados para novas finalidades após o encerramento do evento.

A gestão do consumo de energia também entra nessa lista de necessidades. É preciso uma infraestrutura elétrica robusta, o que tem estimulado o uso de soluções complementares, como áreas abastecidas por energia solar e um planejamento criterioso pré-evento, que ajudam a identificar oportunidades de uso mais racional dos recursos.

Esse movimento dialoga com uma agenda mais ampla de sustentabilidade que vem orientando diferentes setores da economia. Cada vez mais, eventos também passam a considerar aspectos ligados à gestão ambiental, impacto social e governança, temas associados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

As inovações exibidas são cada vez mais eficientes no campo, e as feiras que reúnem milhares de pessoas precisam acompanhar esse movimento. O modo como se planeja a logística, o uso de energia e a destinação de resíduos também deve refletir essa evolução.