O faturamento bruto nominal da indústria de reciclagem mecânica de plásticos alcançou R$ 4,2 bilhões em 2025, crescimento de 5,3% em relação ao ano anterior. A capacidade instalada da indústria recuou 1,5%, para 2,39 milhões de toneladas, movimento que, combinado ao avanço da produção, resultou em leve redução do nível de ociosidade do setor que, ainda assim, permanece elevado. Além disso, o emprego direto ultrapassou as 21 mil vagas, o maior patamar de toda a série histórica iniciada em 2018, e a produção de resina reciclada pós-consumo (PCR) alcançou 1,06 milhão de toneladas.
Os dados são do estudo anual Monitoramento dos Índices de Reciclagem Mecânica de Plásticos Pós-consumo no Brasil 2026 (ano-base 2025), encomendado pelo Movimento Plástico Transforma – criado em 2016 como iniciativa do Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast), resultante de parceria entre a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e a Braskem – e realizado pela consultoria MaxiQuim.
O resultado computado pelo Monitoramento mostra recuperação do setor pelo segundo ano seguido, após o enfraquecimento registrado em 2023, período marcado pelo ciclo de baixa das resinas petroquímicas virgens, que reduziu a competitividade dos plásticos reciclados. Mesmo em um ambiente ainda desafiador nesse aspecto, o setor voltou a crescer. Contudo, apesar da melhora dos indicadores, a indústria ainda opera em um ambiente competitivo desafiador. A capacidade instalada permanece elevada em relação ao volume efetivamente produzido, mantendo níveis relevantes de ociosidade. A competitividade diante das resinas virgens também continua sendo um fator crítico para a expansão do setor.
Esse levantamento monitora os indicadores da reciclagem mecânica no país desde 2018. O estudo calcula os índices de reciclagem e de recuperação de plásticos pós-consumo. O índice de recuperação, que relaciona o volume de resíduo efetivamente consumido pela indústria recicladora à geração total de resíduos, ficou em 25,3% em 2025. Já o índice de reciclagem, que relaciona a produção de PCR à geração de resíduos, foi de 21,3%. Em 2025, foram geradas 5 milhões de toneladas de resíduos plásticos pós consumo no Brasil, das quais 1,27 milhão de toneladas foram efetivamente consumidas pela indústria recicladora.
O estudo também reforça a relevância das embalagens na cadeia de reciclagem. Elas representaram 69% do volume total de resíduos consumidos pela indústria, com 1,12 milhão de toneladas com aplicações em caixarias, pallets, embalagens terciárias, peças técnicas. As embalagens rígidas responderam por 49,4% do volume total processado, enquanto as flexíveis representaram 19,7%. Quando considerados os plásticos de embalagens e os equiparáveis, nomenclatura utilizada no Decreto nº 12.688/2025 para os descartáveis contemplados no estudo, o índice de reciclagem mecânica sobe para 24,2%.
“Os dados de 2025 indicam uma recuperação da indústria de reciclagem mecânica, mas também mostram que o crescimento sustentável do setor exige avanços em toda a cadeia. A disponibilidade de resíduos com qualidade, a regularidade do fornecimento, a eficiência da coleta e da triagem e a competitividade da resina reciclada diante da matéria-prima virgem são fatores decisivos para reduzir a ociosidade e ampliar a produção. O fortalecimento dos diferentes elos, incluindo cooperativas, catadores, empresas de gestão de resíduos e recicladores, é essencial para dar maior escala e previsibilidade ao mercado de plásticos pós-consumo”, afirma Solange Stumpf, sócia executiva da MaxiQuim.
Recuperação da indústria e desempenho econômico
O avanço da produção de reciclados se refletiu no desempenho econômico e social do setor. O número de empregos diretos chegou a 21.013, alta de 4,9% em relação a 2024 e o maior volume de toda a série histórica acompanhada pelo estudo desde 2018, superando inclusive o pico de produção registrado em 2022. Segundo a MaxiQuim, o resultado reflete o caráter intensivo de mão de obra do setor. À medida que a produção de reciclados cresce, cresce também a demanda por trabalhadores, mesmo em um cenário de consolidação, no qual o número de empresas recicladoras caiu (-10,8% desde 2018) à medida que companhias menores são absorvidas por operações de maior porte.
Origem e perfil dos resíduos reciclados
O abastecimento da indústria recicladora segue concentrado em canais intermediados. O comércio de resíduos, formado principalmente por sucateiros, foi responsável por 37% do volume adquirido pelas recicladoras, equivalente a 606 mil toneladas. Na sequência aparecem as aparas industriais, com 22%, e os beneficiadores, com 18%.
As cooperativas responderam por 9% do fornecimento e os catadores, por menos de 1%, participação que, segundo o levantamento, evidencia desafios persistentes na base de coleta e triagem, especialmente relacionados à remuneração, à escala, à produtividade e à estabilidade de fornecimento.
Um destaque da edição 2025 é o crescimento acima da média do fornecimento via empresas de gestão de resíduos, que incluem operações de logística reversa e hoje respondem por 10% do volume consumido pela indústria. A tendência deve se acentuar nos próximos anos em função do Decreto nº 12.688/2025, que regulamenta metas de logística reversa para embalagens plásticas e deve dar mais protagonismo a esse elo da cadeia.
Produção de PCR e segmentos de destino
A produção de resina reciclada pós-consumo voltou a superar a marca de 1 milhão de toneladas em 2025, sendo que o PET representou 39% do total produzido, seguido por PEAD (21%), PP (18%) e PEBD/PELBD (15%).
Entre os segmentos que mais demandaram PCR em 2025, o setor Alimentos e Bebidas liderou, com 183 mil toneladas, seguido por Higiene Pessoal, Cosméticos e Limpeza Doméstica, com 147 mil toneladas. A Construção Civil e Infraestrutura apareceu na terceira posição, com 124 mil toneladas.
O destaque do ano foi o segmento Industrial, que cresceu mais de 32% em relação a 2024. O setor de Brinquedos também apresentou avanço expressivo, de 40%. Já a construção civil registrou queda de 5%, mas permaneceu entre os três segmentos com maior volume de vendas de plásticos PCR.
Concentração regional
A produção de resina reciclada pós-consumo segue concentrada nas regiões Sudeste e Sul do país. O Sudeste respondeu por 55,9% da produção nacional de PCR, com 595 mil toneladas (+6,5%), enquanto o Sul produziu 282 mil toneladas (+5,9%), o equivalente a 26,5% do total. O Norte apresentou o maior avanço proporcional do país, de 17,1% em relação a 2024, embora ainda represente uma parcela reduzida da produção nacional.
O Nordeste registrou retração de 1,1% em 2025, para 137 mil toneladas, após anos de crescimento acima da média nacional. Para a MaxiQuim, o resultado configura uma acomodação pontual, e não um ponto de atenção estrutural: a região vinha ganhando participação mesmo em anos de retração do setor no país, e o recuo observado agora deve ser acompanhado nos próximos ciclos antes de indicar uma mudança de tendência.
A distribuição regional também evidencia a movimentação de resíduos entre diferentes mercados. A concentração produtiva no eixo Sudeste-Sul e a busca por matéria-prima em diferentes regiões reforçam a importância da estrutura de coleta, triagem, transporte e comercialização para o funcionamento da cadeia de reciclagem.
“Os últimos anos foram de aprendizado para a indústria de reciclagem, que precisou se adaptar a um ciclo de baixa nas resinas virgens sem perder competitividade. O resultado de 2025 mostra que esse processo de adaptação avançou, o setor voltou a crescer, gerou mais empregos e ganhou eficiência, mesmo em um cenário ainda desafiador. Com o Decreto nº 12.688/2025 avançando e a logística reversa ganhando escala, a expectativa é que esse movimento de recuperação continue nos próximos anos”, ressalta Solange Stumpf.











