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ABB Robotics reúne jornalistas para falar sobre mercados e avanços em robótica na indústria

Para mostrar como a empresa conecta capacitação técnica, testes, serviços e aplicações industriais em um momento de expansão dos cobots, da IA física e da modernização de sistemas robotizados, a ABB Robotics reuniu em sua fábrica, em Sorocaba (SP), um grupo de jornalistas. Como informou Rodrigo Bueno, diretor da ABB Robotics para o Cluster South America, os avanços da robotização industrial no mundo trazem ao Brasil um desafio estratégico: ampliar o acesso à robótica, apoiar a capacitação técnica necessária para novas demandas fabris e modernizar operações conectando tecnologia, produtividade e pessoas.

Esses desafios tornam-se ainda mais expressivos quando se considera o tamanho do mercado nacional: entre 2.500 a 3.000 robôs por ano, em um parque instalado está ao redor de 20 mil robôs industriais em operação, concentrados principalmente nas regiões Sul e Sudeste, registrando densidade média inferior a 50 unidades para cada 10 mil trabalhadores, enquanto a média mundial supera 140. O diretor da ABB Robotics sinalizou o potencial brasileiro quando comparado a outros países. A China, por exemplo, lidera o ranking com cerca de 295.000 novos robôs anualmente, enquanto Estados Unidos, responde por 34 mil a 39 mil. Em densidade robótica, a Coreia do Sul lidera o ranking global de concentração de máquinas nas fábricas, com mais de 530 robôs para cada 10 mil trabalhadores.

Para contribuir com o desenvolvimento do mercado brasileiro e apresentar solução, a empresa, em sua unidade de Sorocaba, mantém um Centro de Treinamento integrado a uma estrutura que inclui oficina de robótica, showroom, áreas de montagem e testes de células robotizadas, armazém e escritório comercial, funcionando como ponto de conexão entre tecnologia global, aplicação local, serviços especializados e capacitação técnica.

O espaço já capacitou mais de 1.000 profissionais em seus três primeiros anos de operação. A estrutura foi projetada para simular aplicações reais da indústria, apoiar treinamentos técnicos, desenvolver projetos de robótica, executar serviços de manutenção e aproximar clientes, integradores, técnicos e engenheiros das tecnologias que vêm transformando plantas industriais em diferentes setores.

“O Brasil tem uma oportunidade importante de acelerar sua competitividade industrial a partir da robótica, e essa agenda precisa ser entendida de forma ampla. Não se trata apenas de instalar robôs. Trata-se de conectar tecnologia, capacitação, serviços, segurança operacional e visão de longo prazo. A estrutura que temos no país representa justamente essa ponte entre inovação global e aplicação prática no mercado brasileiro”, comenta Bueno.

No portfólio da ABB Robotics, essa agenda envolve robôs industriais, robôs colaborativos, robôs móveis autônomos, softwares de simulação e programação, soluções de robótica e automação de máquinas, serviços especializados, treinamento técnico e suporte ao ciclo de vida dos equipamentos. A combinação dessas frentes reforça a mudança na forma como a indústria passa a enxergar a robótica: não apenas como equipamento, mas como parte de uma arquitetura integrada de produtividade, dados, segurança, qualificação e inteligência aplicada à operação.

Esse posicionamento ganha ainda mais relevância com o avanço da IA física, que conecta robôs, softwares, simulação, dados e inteligência artificial para acelerar o desenvolvimento, o teste e a implementação de aplicações industriais. Para a ABB Robotics, a evolução da robótica passa pela capacidade de aproximar ambientes virtuais e operações reais, permitindo que fabricantes simulem processos, validem soluções e preparem sistemas robotizados com maior precisão antes da implantação em campo.

Um dos exemplos recentes dessa evolução é a linha PoWa, nova geração de cobots de alta velocidade apresentada globalmente pela ABB Robotics em 2026. A família foi desenvolvida para aplicações que exigem velocidade, capacidade de carga, flexibilidade e implementação simplificada, ampliando as possibilidades de uso de robótica colaborativa em diferentes ambientes produtivos e fora das áreas fabris, como laboratórios e setor de serviços, por exemplo.

“Os cobots ganharam relevância porque aproximam a robótica de novas realidades industriais e não industriais. No Brasil, muitas empresas já identificaram onde poderiam ganhar produtividade, e ainda enfrentam barreiras práticas para iniciar essa jornada. Soluções como a linha PoWa™ ajudam a ampliar esse acesso, combinando desempenho industrial, programação simplificada e flexibilidade para diferentes aplicações, explica Adrian Covi, gerente da Linha de Negócios Industries na ABB Robotics América do Sul.

A evolução da robótica também reforça uma mudança importante no debate sobre o trabalho industrial. A tecnologia passa a ser compreendida como ferramenta de apoio à produtividade, à ergonomia, à segurança e à qualificação profissional. Robôs são aplicados em atividades de maior repetição, precisão ou esforço físico, enquanto equipes ampliam sua atuação em funções ligadas à operação, programação, supervisão, manutenção, análise de dados e integração de sistemas.

Essa leitura também se conecta ao setor educacional. Em Santa Cruz, no Rio de Janeiro, uma escola técnica passa a contar com um robô ABB como recurso de aprendizagem aplicada, aproximando estudantes de tecnologias já presentes em fábricas com maior nível de robotização. O equipamento funciona como ferramenta didática para apoiar demonstrações, práticas de programação, noções de operação, manutenção, segurança e integração de sistemas.

Na indústria automotiva, um dos setores mais tradicionais na adoção de robótica, a transformação também ganha novas camadas. Flexibilidade produtiva, digitalização de fábricas e ciclos mais curtos de desenvolvimento exigem linhas mais adaptáveis e capazes de integrar robôs, sistemas, dados e pessoas em ambientes cada vez mais conectados.

“O setor automotivo continua sendo uma vitrine importante para a evolução da robótica, e o perfil dos projetos vem mudando. As fábricas precisam ser mais flexíveis, preparadas para diferentes plataformas e capazes de responder rapidamente a novas demandas. Essa experiência acumulada no automotivo também influencia outros setores que buscam modernizar suas operações”, afirma Rodrigo Bueno.

A agenda de inovação da companhia também se conecta ao avanço da inteligência artificial aplicada à indústria. Em 2026, a ABB Robotics anunciou uma parceria com a NVIDIA para integrar o RobotStudio às tecnologias NVIDIA Omniverse, com o objetivo de acelerar a adoção de IA física em escala industrial. A iniciativa permitirá que fabricantes simulem robôs em gêmeos digitais e utilizem dados sintéticos para treinar modelos de inteligência artificial antes da implantação em ambientes reais.

Para a ABB Robotics, o avanço da robótica no Brasil depende da combinação entre tecnologia, serviços, capacitação técnica e visão de ciclo de vida. A robótica tende a ganhar espaço não apenas em grandes linhas produtivas, como também em aplicações mais flexíveis, operações de médio porte e ambientes que exigem maior capacidade de adaptação.

“A indústria brasileira precisa avançar em produtividade, e esse avanço passa necessariamente por pessoas. Robôs, softwares, serviços e inteligência artificial só geram valor quando há profissionais preparados para aplicar essas tecnologias aos desafios reais da operação. Esse é o papel que buscamos fortalecer no Brasil: unir tecnologia global, conhecimento local e capacitação para o futuro da indústria”, conclui Bueno.

Parceria com Psyonic

ABB Robotics anunciou parceria com a empresa de biônica Psyonic, para avançar nas capacidades de preensão e manipulação robótica por meio de dados gerados a partir de próteses humanas. A iniciativa combina a mão biônica Ability Hand, da Psyonic, com o robô colaborativo GoFa, da ABB Robotics, para treinar robôs na execução de tarefas delicadas e variáveis, tradicionalmente difíceis de automatizar. No Brasil, a adoção de robótica industrial está em crescimento acelerado, e esta parceria pode impulsionar a automação de tarefas delicadas em setores-chave como o automotivo.

A parceria integra hardware avançado e dados do mundo real para acelerar o desenvolvimento de aplicações em setores como automotivo, aeroespacial, embalagens, logística e ciências da vida. Ao permitir que robôs assumam tarefas repetitivas, ergonomicamente desafiadoras ou de difícil padronização, a colaboração contribui para melhorar a produtividade, a flexibilidade e a segurança no ambiente de trabalho. 

A precisão motora e a capacidade de manipulação são elementos centrais do conceito de Autonomous Versatile Robotics (AVR), visão da ABB Robotics para robôs capazes de perceber, tomar decisões, se movimentar e manipular objetos com precisão em ambientes dinâmicos. Essas capacidades também são essenciais para o avanço da chamada inteligência artificial física na indústria — sistemas robóticos que aprendem com interações no mundo real e aplicam esse conhecimento com confiabilidade em escala industrial. 

A Psyonic trabalha em conjunto com a equipe de Pesquisa e Desenvolvimento da ABB Robotics para integrar e evoluir a tecnologia, investigando como a manipulação com sensoriamento de toque pode apoiar aplicações robóticas autônomas de próxima geração. 

Originalmente desenvolvida para uso protético, a Ability Hand combina controle mioelétrico, sensores de toque e um design mecânico flexível e leve, com múltiplos graus de articulação. Seus sensores de pressão e sistema de feedback por vibração permitem identificar contato, força de preensão e liberação, enquanto seus dedos flexíveis se adaptam naturalmente a objetos irregulares ou deformáveis. 

A habilidade manual humana e a capacidade intuitiva de lidar com diferentes objetos estão entre os maiores desafios da robótica industrial, mas são fundamentais para o desenvolvimento de robôs verdadeiramente autônomos e versáteis. À medida que avançamos no desenvolvimento da próxima geração de inteligência artificial física, os robôs passarão a aprender e compreender o mundo de forma semelhante aos humanos”, afirma Marc Segura, presidente da ABB Robotics. “Essa colaboração com a Psyonic contribui para reduzir a distância entre a habilidade humana de manipulação e a robótica, ampliando as possibilidades de aplicação em diversos setores”, completa o executivo. 

“Manipulação refinada é, em grande parte, um desafio de dados tanto quanto de hardware”, afirma Aadeel Akhtar, fundador e CEO da PSYONIC. “Ao utilizar a mesma tecnologia em pessoas e em robôs, conseguimos capturar dados reais de alta fidelidade sobre movimento, contato e força, que podem ser aplicados no treinamento de sistemas robóticos de forma mais eficiente. A integração com a plataforma da ABB Robotics permite ampliar essas aplicações e alcançar níveis de precisão e adaptabilidade necessários para resolver desafios complexos de automação”, ressalta.

Nesse contexto, o robô GoFa™ da ABB Robotics oferece a precisão e repetibilidade necessárias para aplicações industriais, permitindo executar e avaliar com consistência variações sutis de força, posicionamento e movimento. Esse nível de precisão é essencial para transformar dados derivados da manipulação humana em desempenho robótico confiável em tarefas complexas. 

A colaboração também avalia o uso dessas tecnologias em aplicações industriais onde sistemas tradicionais de preensão enfrentam limitações, especialmente em cenários com alta variabilidade, fragilidade ou complexidade — como a manipulação de objetos delicados ou irregulares. Segundo a International Federation of Robotics (IFR), soluções avançadas de preensão e integração digital podem reduzir o tempo de engenharia em até 30%, reforçando a importância dessas tecnologias para acelerar a adoção da automação e melhorar o retorno sobre investimento. 

A iniciativa faz parte da estratégia da ABB Robotics de colaborar com parceiros de seu ecossistema para superar barreiras históricas da automação. Ao combinar robótica, inteligência artificial e dados reais provenientes do uso de próteses humanas, a empresa avança no desenvolvimento de soluções mais adaptáveis, capazes de operar com confiabilidade em ambientes reais.