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Experiências em economia circular colocam Brasil em destaque

Sustentabilidade no contexto do plástico responde por número crescente de projetos e iniciativas coletivas, via instituições diversas e associações de fabricantes, e individuais, de indústrias.
Dados levantados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Centro de Pesquisa em Economia Circular da Universidade de São Paulo (USP) apontam que 85% da indústria brasileira faz uso de práticas diárias relacionadas à economia circular. Atualmente, especialistas estimam que a reciclagem é adotada em três a cada dez empresas, basicamente via estímulo a programas de sustentabilidade e a práticas que aumentam a efetividade dos processos.

Além disso, a criação da Estratégia Nacional de Economia Circular (ENEC), em 2024, e a disseminação de ações específicas voltadas ao tema, por parte da indústria, vêm consolidando o Brasil em posição de destaque no cenário global quando o assunto é economia circular.

Definindo o processo e a forma como a reciclagem e a economia circular ganham espaço, Marcelo Okamura, presidente da Campo Limpo – empresa que produz embalagens recicladas de defensivos agrícolas, e diretor-presidente do inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias) –, explica que a reciclagem e a economia circular têm como princípio dar vida nova a um objeto que a princípio iria para o lixo, afinal, “por que simplesmente descartar algo se podemos utilizar esse item como matéria-prima para a produção de um novo produto?”, questiona.

Esse movimento é norteado por princípios que, segundo Okamura, são a base do conceito e envolvem, de um modo geral, “promover redução da extração de recursos naturais, maior longevidade dos produtos e, no final da vida útil desses produtos, a reciclagem de matérias-primas”.

Há outras várias formas de medir essa evolução, como o Perfil das Indústrias de Transformação e Reciclagem de Plástico no Brasil, divulgado pela Abiplast. Em sua última edição, a publicação mostra que o percentual de resíduo plástico que retorna ao mercado como resinas recicladas pós-consumo (PCR) passou de 23,4%, em 2021, para 25,6%, em 2022.

Aliás, a entidade criou, em parceria com a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), a plataforma Recircula Brasil, reconhecida pelo PNUMA – ONU como solução inovadora para a reciclagem e economia circular do plástico, que conta com a verificação e operação da Central de Custódia, verificadora de resultados independente.

Plástico Brasil

Outro termômetro é a Plástico Brasil, feira que chegou a quarta edição – realizada de 24 a 28 de março, no São Paulo Expo – e teve a economia circular norteando algumas iniciativas, como os projetos Instituto Soul do Plástico, Recicla Plástico Brasil, Tampinha Legal, Segunda Sustentável e Sacola Circular.

A iniciativa do Instituto Soul do Plástico, realizada em parceria com a Escola Técnica Estadual (ETEC) de Mairiporã (SP), tem duplo objetivo: prolongar a vida útil do plástico e gerar renda para que os alunos custeiem a formatura. No pavilhão, foi demonstrado o processo interativo de reciclagem que transforma tampinhas plásticas em novos produtos com maior valor agregado, como suportes para celulares, utilizando um moinho e uma injetora adaptados para essa operação.

Outro destaque foi o projeto Recicla Plástico Brasil, uma iniciativa voltada para o fortalecimento da cadeia de reciclagem, que busca aumentar a circularidade do plástico e incentivar práticas mais sustentáveis em toda a cadeia produtiva, integrando empresas, organizações e a sociedade.

Já a Segunda Sustentável incentiva o consumo responsável do plástico, propondo mudanças de comportamento que visam a minimizar impactos ambientais. A ação reforça a importância da reutilização e do descarte adequado, estimulando atitudes mais conscientes por parte de empresas e consumidores.

Destinando os recursos arrecadados para causas sociais, unindo sustentabilidade e impacto positivo na comunidade, o projeto Tampinha Legal promoveu a coleta para reciclagem de tampinhas plásticas, além de incentivar a conscientização ambiental por meio de apresentações no Parque de ideias.

A feira também contou, pela primeira vez, com o projeto Sacola Circular, realizado em parceria com algumas empresas expositoras. A meta foi proporcionar uma experiência educativa aos visitantes, demonstrando como o plástico pode ser uma solução sustentável no dia a dia na fabricação de sacolas recicláveis, destacando os benefícios da reciclagem e a importância do uso responsável desse material.

A divulgação de políticas públicas voltadas para o setor e da recém-criada Frente Parlamentar de Economia Circular do Estado de São Paulo, coordenada pelo deputado Bruno Zambelli, teve espaço no Parque das Ideias.