O Tax Experience 2026, realizado pelo Tax Group em 16 de setembro, reuniu cerca de 750 empresários, presidentes, diretores financeiros e executivos no Rosewood São Paulo para discutir os principais desafios das empresas brasileiras diante da Reforma Tributária, dos juros elevados e das mudanças no cenário econômico e geopolítico. Em sua quarta edição, o encontro contou com mais de 25 painelistas e palestrantes ao longo do dia.
Um dos principais destaques foi a apresentação de um levantamento do Data Tax, núcleo de inteligência do Tax Group, sobre os impactos projetados da Reforma Tributária nas empresas. A análise considera 1980 companhias com relatórios de Reforma Tributária Inteligente (RTI) concluídos, distribuídas por sete segmentos, 19 estados e três regimes tributários, que somam R$ 47,4 bilhões em faturamento anual.
De acordo com os dados, 56,6% das empresas analisadas deverão enfrentar aumento de carga tributária, enquanto 43,4% apresentam projeção de redução. A indústria aparece como o segmento proporcionalmente mais afetado: 62,7% das empresas industriais da amostra têm projeção de aumento de carga, devido à falta de preparação diante da reforma. Na sequência aparecem comércio varejista (56,6%), serviços (55,6%), transporte e logística (54,5%) e comércio atacadista (50%).
Apesar de o número de empresas com aumento superar o das que terão redução, o impacto financeiro agregado ficou mais equilibrado. As empresas com elevação de carga somam uma projeção de R$ 329,44 milhões em custos tributários adicionais por ano, enquanto aquelas com redução concentram R$ 317,64 milhões em economia tributária anual.
Para Luis Wulff, CEO do Tax Group, os resultados mostram que a adaptação das empresas à nova estrutura tributária precisa caminhar junto com uma discussão mais ampla sobre eficiência operacional e capacidade de preservar margens em um ambiente de juros elevados.
“Muito do que foi apresentado nos primeiros materiais da Reforma Tributária começa a se confirmar com uma tendência diferente. O estudo mostrou, por exemplo, que a indústria está entre os setores mais expostos ao aumento da carga. Ao mesmo tempo, temos uma taxa de juros alta e um ambiente de negócios que exige redução de custos e eficiência operacional plena. Quando a empresa não consegue sustentar margem, sua capacidade de atravessar esse cenário fica comprometida”, afirma Wulff. A relação entre custo do crédito, endividamento e competitividade também esteve entre os temas discutidos durante o encontro.
Ao longo do evento, os painéis abordaram o impacto dos juros sobre a indústria brasileira, alternativas desenvolvidas pelo mercado financeiro para ampliar o acesso ao crédito e a necessidade de planejamento estratégico e estruturas de governança capazes de responder mais rapidamente às mudanças do ambiente econômico.
Outro eixo fundamental do Tax Experience 2026 foi o cenário internacional, explorado em profundidade por Heni Ozi Cukier, o HOC. Atuando como professor, cientista político e keynote speaker do evento, ele apresentou uma análise sobre o panorama geopolítico global, destacando a intensificação das disputas comerciais, o avanço de políticas de proteção industrial, as relações entre Estados Unidos e China e a nova dinâmica de menor coordenação multilateral, alertando para os reflexos dessas transformações nas cadeias produtivas e nas empresas brasileiras.
Em complemento a essa visão macroeconômica e estratégica, Renata Barreto, partner da Faz Capital, trouxe sua expertise para o âmbito financeiro, orientando o público sobre investimentos e diversificação de carteiras no painel focado em como proteger o capital e investir sem apostar em um resultado específico durante períodos eleitorais.
Além disso, a programação reuniu executivos e lideranças de diferentes setores da economia, com representantes de empresas como SAP, Google, Michelin, Simpar, Decolar, CIMED, FuelTech, Mars, Yara, Cantu Alimentos, Wine, SIEG, Ibatri, TPZ, TEWA e Amoveri Farma, entre outras.
Ao longo do dia, os debates passaram ainda por macroeconomia, cenário eleitoral, inteligência artificial, eficiência operacional, ESG, tendências tributárias das grandes corporações e perspectivas para diferentes setores da economia, com foco nos desafios que deverão orientar as decisões empresariais a partir de 2027.
“O Tax Experience reuniu empresários que estão tomando decisões agora sobre questões que terão impacto direto nos próximos anos. Reforma Tributária, Eleições, juros, geopolítica e eficiência deixaram de ser discussões isoladas. Tudo isso chega ao caixa e à estratégia das empresas ao mesmo tempo”, conclui Wulff.











