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A produção mineral brasileira em números

A expressividade da produção mineral brasileira em números é comprovada, por exemplo, pelos resultados do primeiro semestre de 2026 divulgados em 28 de julho pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). No período, a mineração respondeu por 48% do saldo comercial, atingindo US$ 20,3 bilhões. Nesse quadro, o minério de ferro respondeu por 53,6% das exportações minerais brasileiras, influenciando fortemente o saldo positivo.

O saldo mineral cresceu 25,36% em relação ao primeiro semestre de 2025 e o superávit comercial brasileiro alcançou US$ 42,36 bilhões, um avanço superior a 40%. As exportações minerais somaram US$ 25,1 bilhões, alta de 24,1% em relação ao mesmo período de 2025, e alcançaram 196,2 milhões de toneladas, avanço de 2,4%. As importações totalizaram US$ 4,8 bilhões, crescimento de 18,9%, e 20,9 milhões de toneladas, aumento de 6,7%.

Nos seis primeiros meses de 2026, de acordo com dados do Ibram, o faturamento da indústria mineral chegou a R$ 150,7 bilhões, alta de 8,2% sobre os R$ 139,2 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Os minerais que se destacaram, ao lado do minério de ferro, foram o ouro e o cobre.

O faturamento do minério de ferro apresentou queda de 3,1% no semestre, para R$ 71,2 bilhões. A substância ainda concentrou 47,2% da receita total da indústria mineral. Mesmo assim, as vendas externas de minério de ferro alcançaram US$ 13,43 bilhões, crescimento de 5,2% em relação ao mesmo período de 2025. O volume exportado aumentou 2,4% e chegou a 189,4 milhões de toneladas.

Já o ouro apresentou faturamento de R$ 25,3 bilhões, crescimento de 44,2%, e o cobre alcançou R$ 20,6 bilhões, com alta de 41%.

Minas Gerais segue na liderança da receita mineral, com 38,2% do total (R$ 57,6 bilhões), seguido de perto pelo Pará, com 34,6% (R$ 52,2 bilhões), e, em terceiro lugar, está a Bahia, com 5% (R$ 7,5 bilhões).

A arrecadação de impostos, tributos e taxas somou R$ 52 bilhões, avanço de 8,2%. Desse montante, R$ 3,8 bilhões corresponderam à Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), resultado 3,6% superior ao do primeiro semestre de 2025.

De acordo com dados do Novo Caged de maio, a indústria extrativa mineral registrava 229.614 empregos diretos, excluídos petróleo e gás. Entre janeiro e maio, o setor criou 421 vagas formais.

E os números seguem positivos com relação à previsão de investimentos. A carteira de investimentos para o período de 2026 a 2030 permanece estimada em US$ 76,9 bilhões, valor 12,5% superior ao previsto para o ciclo anterior. Os projetos relacionados a minerais críticos, entre eles cobre, níquel, terras raras, grafita, lítio, nióbio e zinco, concentram US$ 21,3 bilhões. A estimativa representa crescimento de 15,2% em comparação com a projeção para 2025 a 2029. Para o Ibram, a manutenção desses investimentos depende de segurança jurídica, previsibilidade tributária e condições que preservem a capacidade do setor de competir no mercado internacional.

Problemas existem

Entre os riscos e dificuldades do setor, Pablo Cesário, presidente da instituição, elenca a regulamentação do imposto seletivo, “que poderá elevar os custos das exportações de minério de ferro e reduzir a competitividade do Brasil no mercado internacional”, e a guerra no Golfo Pérsico, que “eleva os preços do enxofre e do ácido sulfúrico, prejudicando cadeias industriais e o agronegócio”.

A regulamentação do tributo, por decreto do Poder Executivo, pode estabelecer até um teto de 0,25% para a alíquota que será aplicada ao setor, incidindo, inclusive, sobre bens minerais destinados à exportação.

Outro ponto de atenção relacionado pelo presidente do Ibram refere-se à logística de exportação do minério de ferro. Embora sustente as exportações do setor, o minério de ferro brasileiro enfrenta uma desvantagem logística diante da Austrália, principal concorrente do país nesse mercado: “Os australianos estão muito mais próximos de mercados consumidores de minério de ferro situados no Sudeste Asiático, além da Índia. Já enfrentamos custos logísticos maiores. Qualquer aumento de tributação pode comprometer nossa competitividade e até retirar empresas brasileiras desses mercados”, explica Pablo Cesário.