O estado da arte da fabricação global é apresentado na FEIMEC pelas empresas integrantes da Câmara Setorial de Máquinas e Ferramentas (CSMF), assegura Maria Cristina Moreira, presidente da câmara e representante da comissão de expositores: “Nosso setor atravessa sua transformação mais profunda: estamos saindo da automação pura para a autonomia inteligente. Hoje, o foco não é mais apenas a ‘velocidade de corte’, mas sim a inteligência de dados e a sustentabilidade. Esta mudança é uma resposta direta a um mercado que não busca apenas máquinas, mas sim competitividade.”
A inovação entregue na FEIMEC 2026 – assegura Moreira – permite flexibilidade para lotes pequenos e oferece equipamentos tão intuitivos que ajudam a superar a atual escassez de mão de obra qualificada. “A CSMF não está apenas expondo máquinas; está desenhando o futuro da indústria nacional.”
A busca da competitividade citada pela presidente da CSMF é fator-chave no cenário internacional e se caracteriza pela integração às cadeias globais e pela adoção de tecnologias avançadas, uma vez que “a transformação industrial exige a união entre inovação, estratégia e capacidade de execução, e a FEIMEC contribui diretamente ao aproximar empresas brasileiras das principais tendências globais e fortalecer sua inserção internacional”.
Entre os destaques da edição comemorativa dos dez anos do evento estão os princípios da Indústria 5.0, com máquinas que deixam de ser ferramentas passivas para se tornarem colaboradoras inteligentes; a eficiência energética e descarbonização, que se refletem na equação de produzir mais consumindo o mínimo de energia e insumos; e a servitização, prática crescente focada na entrega de valor e disponibilidade constante.
Tida como pilar fundamental da economia – ou, como dizem alguns, a indústria que produz fábricas –, a indústria de máquinas e equipamentos “quando evolui, impulsiona toda a cadeia produtiva. Hoje, nossa entrega transcende o ativo físico: fornecemos a viabilidade estratégica para o sucesso de nossos clientes”, define a presidente da CSMF. A visão baseia-se nas necessidades do cenário atual, que exige máxima produtividade e otimização de custos, fazendo com que o mercado, mais do que apenas máquinas, busque soluções integradas.
Contribuindo com esse ecossistema como integrantes da Indústria 4.0 — mas com aplicações específicas para ar comprimido e gases industriais — as indústrias congregadas na Câmara Setorial de Ar Comprimido e Gases (CSAG) são, segundo seu presidente Edgard Dutra, “essenciais para praticamente toda a manufatura.”
A participação dessas empresas na FEIMEC caracteriza-se por uma visão completa, envolvendo segurança e conformidade regulatória (especialmente a NR-13), temas tão importantes quanto a tecnologia em si. “A NR-13 é a principal norma de segurança para o setor. Ela regula vasos de pressão, compressores e tubulações, além de inspeção, operação e manutenção”, esclarece Dutra.
“Uma vitrine muito clara de para onde a indústria está indo: mais precisão, mais conectividade e mais inteligência embarcada.” Essa definição de Murilo Peixoto, presidente da Câmara Setorial para Máquinas, Equipamentos e Instrumentos de Controle de Qualidade, Ensaio e Instrumentação (CSQI), expande-se ao considerar as empresas do setor.
Para ele, o destaque tende a estar em metrologia conectada, sensores inteligentes, automação de ensaios e o uso crescente de IA para análise preditiva e redução de variabilidade de processo. Seguindo essa linha, Peixoto destaca: “A inovação caminha menos para ‘medir por medir’ e mais para transformar medição em decisão operacional em tempo real.”
Expositores são consumidores: quando a recíproca é real
Nesse evento, a inovação começa “em casa”. Como assegura Moreira, as empresas da CSMF entendem que, para oferecer agilidade aos clientes, precisam ser as primeiras a adotar processos de baixo risco e alta eficiência. “Na FEIMEC 2026, nossa busca vai além de máquinas: buscamos competitividade. Isso envolve desde a integração digital da Indústria 5.0 até soluções que reduzam o impacto ambiental. O objetivo é claro: plantas produtivas flexíveis e prontas para um mercado que exige rapidez.”
Entre os segmentos que atuam nessa rodada dupla está o de Fundição. Como detalha seu presidente, Marcus Vinicius Gimenes, “as fundições são grandes consumidoras de tecnologia, e a feira é o momento de identificar soluções que tragam ganho real de competitividade, reduzindo custos e aumentando a previsibilidade operacional.”
O setor demanda equipamentos mais robustos, com menor manutenção e maior confiabilidade. Outro ponto fundamental listado por Gimenes é a integração digital e o retrofit: “As fundições querem visibilidade do processo para tomada de decisão. Muitas precisam modernizar seus parques industriais de forma gradual, sem necessariamente substituir toda a estrutura existente.”
Situação semelhante é expressa por Reinaldo Sarquez, presidente da Câmara Setorial de Motores e Grupos Geradores (CSMGG). Como grandes fabricantes de bens de capital, essas empresas atuam na FEIMEC como compradoras estratégicas de tecnologias que tornem suas próprias fábricas mais ágeis e integradas, permitindo que o produto final saia da linha com maior valor agregado.

O futuro é agora
“A transição para a Indústria 5.0 e a automação inteligente tornaram-se imperativos. Ao oferecermos equipamentos que unem flexibilidade produtiva e menor impacto ambiental, garantimos a competitividade de nossos parceiros frente aos desafios globais”, resume Moreira.
Delineando o futuro do setor, a presidente da CSMF explica que a tendência é o desenvolvimento de máquinas inteligentes e modulares. Hibridização e regeneração cinética estão entre os exemplos que já vêm transformando a indústria. “Estamos migrando de sistemas hidráulicos puros para acionamentos híbridos com servomotores. O benefício é a recuperação de energia durante a frenagem e a eliminação do consumo em standby”, detalha.
Outros modelos incluem a otimização por IA e a integração térmica com hidrogênio. No primeiro caso, a IA ajusta a potência conforme a resistência do material em tempo real. Já o hidrogênio verde é a aposta para substituir combustíveis fósseis em soldagem e tratamento térmico. “O benefício é a descarbonização profunda, mas a barreira ainda é o alto custo de infraestrutura no Brasil”, alerta Moreira.
Para o presidente da CS Fundição, atividade que define como “essencial para a indústria brasileira, presente em praticamente todas as cadeias produtivas, do agronegócio à mobilidade, passando por máquinas e equipamentos”, a inovação no setor caminha em três direções muito claras: aumento de eficiência, garantia de qualidade e, principalmente, sustentabilidade. A fundição está passando por uma transformação importante, buscando produzir mais e melhor, com menor consumo de recursos e menor impacto ambiental.
O setor de máquinas e equipamentos – relata o presidente da CSQI — fechou 2025 com receita de R$ 298,9 bilhões, crescimento de 7,3%, mas enfrenta recorde de importações em 2026. Ele faz um alerta: “Inovação não pode ser acessório de estande; precisa virar estratégia empresarial. Sem isso, continuamos discutindo futuro com máquina velha e energia cara.”
Necessidades das fabricantes quando são consumidoras
As indústrias da CSMGG pautam-se na convergência entre sustentabilidade e digitalização. Entre os destaques, Sarquez elenca a descarbonização (motores adaptados para biometano e hidrogênio) e a conectividade via IoT, que permite telemetria avançada e monitoramento remoto em tempo real.
A manutenção preditiva com IA é central para garantir confiabilidade em setores críticos como hospitais. Além disso, as pesquisas da CSMGG baseiam-se em três pilares: Hibridização (fontes combinadas), sistemas autônomos (ajuste de operação via algoritmos) e economia circular (retrofit de motores antigos para redução de emissões).
No caso das fundições, a FEIMEC tem papel fundamental no alinhamento do setor às tendências globais. Gimenes frisa que “a fundição brasileira tem capacidade para evoluir, mas precisa de um ambiente favorável para competir em igualdade no cenário internacional.”
Falando pela Câmara Setorial de Movimentação e Armazenagem de Materiais (CSMAM), o vice-presidente Marcos Gaio informa que o setor foca agora em resiliência operacional e “automação pragmática”, aplicada a gargalos críticos com retorno claro sobre o investimento. Em 2026, a eficiência energética tornou-se o diferencial definitivo, influenciando todas as decisões de compra.
A expectativa da CSQI resume o espírito do evento: encontrar novos clientes, mas também soluções para modernizar as próprias operações. Como conclui Peixoto: “Ninguém quer só vender instrumento; quer produzir melhor, calibrar melhor, testar mais rápido e errar menos.”

Exigências do mercado consumidor das máquinas
Um aspecto fundamental considerado pelo presidente da CS Fundição envolve a crescente atenção dos clientes à sustentabilidade. Segundo ele, o mercado está cada vez mais atento à pegada ambiental, o que exige equipamentos eficientes e processos limpos. Nesse cenário, a evolução da indústria de máquinas e equipamentos torna-se indispensável para que o setor de fundição acompanhe as demandas globais e compita em igualdade com players internacionais.
A questão energética é listada entre os principais desafios e, simultaneamente, como uma das maiores oportunidades para o segmento. Por ser uma atividade intensiva em energia, qualquer ganho de eficiência impacta diretamente a competitividade. Gimenes resume que há um avanço importante no uso de eletricidade proveniente de fontes renováveis, como solar e eólica, especialmente em fornos a indução. Ele também cita iniciativas com biomassa e biogás, além do uso do gás natural como combustível de transição.
Recentemente, a discussão sobre o uso do hidrogênio ganhou corpo, embora ainda em estágio inicial. O presidente da CS Fundição assegura que os benefícios são claros, incluindo a redução de emissões e o alinhamento com práticas ESG. No entanto, ressalva que obstáculos como o alto investimento inicial, limitações de infraestrutura e incertezas regulatórias exigem uma transição planejada para mitigar a volatilidade dos custos.
Para o presidente da CSQI, o mercado demanda hoje quatro requisitos simultâneos: produtividade, repetibilidade, eficiência energética e conformidade. O atingimento dessas metas depende da modernização do parque fabril, pois, segundo ele, sem tecnologia não há ganhos reais: “Milagre, na indústria, normalmente é só manutenção adiada com marketing bonito”. Peixoto reforça que o Brasil precisa avançar em automação, digitalização e rastreabilidade, utilizando programas como o Brasil Mais Produtivo para reduzir custos operacionais.
Cenário de juros altos
Sobre o panorama econômico, Dutra lembra que o acesso ao financiamento é o fator determinante para que a inovação ganhe escala. Para o setor de ar comprimido e gases, o custo do capital influencia tanto os fabricantes quanto os consumidores industriais. No primeiro grupo, o desenvolvimento tecnológico exige investimentos contínuos em engenharia e certificações que, em ambientes de crédito restrito, tornam-se mais seletivos.
Contudo, o impacto mais severo recai sobre o consumidor industrial. Embora tecnologias de alta eficiência e controle inteligente já sejam maduras, a viabilização do investimento esbarra nos juros elevados. Muitas indústrias acabam postergando a modernização para preservar o caixa, o que resulta na manutenção de equipamentos obsoletos e no aumento do consumo energético.
Peixoto reconhece que, embora existam instrumentos financeiros, o acesso ainda é complexo: “O dinheiro existe; o funil também”. Ele destaca, porém, avanços em 2025 com o lançamento de linhas de R$ 12 bilhões via BNDES e Finep para a difusão de tecnologias da Indústria 4.0, como IA e IoT.
Nesse contexto em que o financiamento se torna um elemento estratégico, surgem novos modelos de negócio. Dutra cita a evolução de formatos como a locação de equipamentos, contratos por performance e soluções integradas. Essas modalidades visam reduzir as barreiras de entrada para a inovação, permitindo que as indústrias acessem tecnologias avançadas sem a necessidade de grandes aportes iniciais de capita











