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Valley apresentou tecnologia com eficiência e previsibilidade na Agrishow

Em um mercado mais seletivo, caracterizado por juros altos, que dificultam o acesso ao crédito, a necessidade do produtor por tecnologia está diretamente atrelada ao retorno, ou, como preferem alguns a soluções que mostrem rápida redução do custo de operação, entreguem eficiência prática, mais previsibilidade operacional e atualização tecnológica sem exigir a troca completa de sistemas já instalados. Na irrigação, esse movimento ganha força entre produtores que estão iniciando projetos, ampliando área irrigada ou buscando modernizar a operação com mais racionalidade no uso dos recursos. Ao lado dessas complexidades, os projetos de irrigação também driblam problemas estruturais em energia e em conectividade, entre outros.

“Os lançamentos de 2026 da Valley, marca da Valmont, foram desenvolvidos justamente para atender esse momento, ajudando o irrigante a operar com mais eficiência, racionalizar recursos e ampliar a disponibilidade do pivô”, afirma Saulo Gare Ginak, gerente de produto da Valmont Brasil, explicando que as três novidades são voltadas a ampliar conectividade, reduzir paradas e melhorar a relação entre investimento e desempenho no campo: o painel ICON+, o Machine Diagnostics e o redutor de rodas VG252. As soluções foram edonstradas no estande da empresa, devidamente conectadas ao ecossistema digital liderado pelo AgSense 365, um dos principais focos da fabricante na ocasião.

Entre as novidades, o ICON+ chega como uma solução pensada para conectar pivôs da Valley ou de outras marcas já instalados e ainda sem acesso remoto. Trabalhando em conjunto com o painel originalmente instalado, ele permite levar o equipamento para o ambiente do AgSense 365 sem exigir uma atualização completa do sistema. Com tela touch de 7 polegadas, acesso remoto, GPS e integração com diferentes soluções da marca, o painel foi desenhado para simplia entrada na irrigação conectada e tornar mais viável a modernização de equipamentos já em campo. O próprio AgSense reúne monitoramento remoto, alertas, visualização em lista ou mapa, clima, sensores e controle de pivôs, além de bombas e tanques em uma única plataforma.

Na mesma linha, o Machine Diagnostics amplia a capacidade operacional do pivô ao monitorar continuamente parâmetros mecânicos e hidráulicos que impactam diretamente a disponibilidade e performance da máquina. Integrado ao AgSense 365, o sistema centraliza dados em tempo real sobre alinhamento, pressão dos pneus, pressão de aplicação de água por lance e tempo de funcionamento de componentes como redutores de roda e motoredutores. Com isso, o produtor consegue identificar anomalias antes que elas se transformem em falhas, direcionando a manutenção de forma preventiva, reduzindo custos e evitando paradas desnecessárias durante a safra.

Fechando o trio de lançamentos, o VG252 amplia o portfólio de soluções de movimento com foco em confiabilidade e custo-benefício. Desenvolvido para operação contínua, o redutor reúne eixos de liga de aço de alta resistência, rolamentos cônicos, eixo longo e câmara de expansão externa ventilada, conjunto construtivo que contribui para maior durabilidade, melhor transmissão de potência e desempenho consistente em campo. Nos materiais técnicos da empresa, o produto aparece como opção indicada para pivôs, aplicações para reposição e projetos com custo competitivo.

Segundo Saulo, o VG252 foi pensado especialmente para ampliar o acesso a uma solução tecnicamente eficiente e alinhada à realidade de quem está entrando na irrigação ou busca otimizar o investimento inicial sem abrir mão de qualidade e confiabilidade. Além do apelo de custo-benefício, o lançamento chega ao mercado com uma evidência concreta de desempenho: em testes internos de laboratório, o modelo apresentou torque final de saída superior ao de um redutor concorrente, reforçando seu posicionamento como alternativa confiável para aplicações de campo.

Ao reunir atualização de pivôs instalados, monitoramento inteligente da operação e uma nova alternativa de movimento com foco em custo-benefício, os lançamentos apresentados na Agrishow 2026 refletem um movimento mais amplo da irrigação: a busca por soluções que combinam tecnologia, disponibilidade operacional e uso racional dos recursos disponíveis.

Gargalos da irrigação

Como explicou Cristiano Del Nero, diretor-presidente da Valmont Brasil e presidente da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Abimaq (CSEI), a conjuntura do mercado brasileiro é afetada também por problemas de infraestrutura, tanto elétrica, quanto de conectividade, sendo o segundo de equacionamento menos complexo, pois o mercado vem se autoajustando, utilizando redes 4G na fazendo ou redes salateliais de alta velocidade e baixa latência. Desse modo, a disponibilidade de energia elétrica trifásica se caracteriza o gargalo principal, dependendo de investimentos das concessionárias, de revisão dos planos quinquenais ou até da Operadora Nacional do Sistema (ONS).

Estudo que avalia a Demanda Energética na Agricultura Irrigada para Apoio na Condução de Políticas Públicas no Planejamento Setorial, com modelo calibrado por cerca de 6 mil pivôs centrais localizados em todo território nacional, foi promovido ela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em 2025, e realizado pelo Núcleo Estratégico Interdisciplinar em Resiliência Urbana (Neiru), da Universidade Federal de Itajubá (Unifei). Como informa Gabriel Moreira, gerente de Relações Institucionais da Valmont, essa análise, que seguiu critérios acadêmicos, quantifica a carência energética da irrigação e apresenta estimativa até 2040.

Entre as conclusões do estudo, tendo como base o ano de 2022 (último período com informações completas e disponíveis no momento em que a análise foi iniciada), “a demanda eletroenergética total dos polos foi de 989 MW, ou seja, os polos eram atendidos com, aproximadamente, 1 GW de energia elétrica. No entanto, se toda a irrigação praticada nos polos utilizasse, exclusivamente, energia elétrica, a demanda seria de 3,5 GW. Dessmo modo, atualmente, o déficit de energia elétrica é de 2,5 GW para as áreas irrigadas nos perímetros dos Polos de Agricultura Irrigada. Estrapolando essa estatística para 2040, a demanda equivalente eletroenergética total dos polos será de 5 GW, o que evidencia a importância do desenvolvimento de políticas públicas, tanto no setor da irrigação quanto na área de planejamento e expansão elétrica, visto a necessidade de atendimento dos irrigantes”, resume Moreira.

A base foi estudo elaborado pela Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz intitulado “Análise Territorial para o Desenvolvimento da Agricultura Irrigada no Brasil – Plano de Ação Imediata da Agricultura Irrigada no Brasil para o período 2020-2023” e a Base de Dados Geográficos da Distribuidora (BDGD), considerando-se o ano de 2022, por ser o último período com informações completas e disponíveis no momento em que a análise foi iniciada, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), bem como o Atlas Irrigação – Uso da Água na Agricultura Irrigada, da Agência Nacional de Águas (ANA).