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Irrigação: ferramenta estruturante

Técnica que segue avançando em capilaridade e em sofisticação tecnológica, a irrigação, no Brasil, ainda tem muito a se desenvolver. A área irrigada cresce ano a ano, “especialmente em sistemas mecanizados de gotejamento e pivô central”, informa Cristiano Del Nero – presidente da CSEI –, e confirma: “O Brasil ainda possui amplo espaço para expansão sustentável da área irrigada, considerando seu potencial hídrico, territorial e climático.”

Nesse segmento, novas tecnologias também estão disponíveis, e “a evolução é clara, pois a irrigação está virando uma plataforma de dados, automação e eficiência”, assegura Del Nero, destacando a irrigação 4.0, que integra clima, solo, cultura e operação do sistema para aplicar “a dose certa, no tempo certo”. Telemetria e conectividade é outro avanço e permite gestão remota, alertas, manutenção preditiva e controle por celular, reduzindo a dependência de mão de obra e deslocamento.

O presidente da CSEI elenca, ainda, ganhos em eficiência energética e transição energética, com o uso de motores mais eficientes, otimização de bombeamento, uso crescente de solar e de armazenamento (baterias) para lidar com picos e qualidade de energia; e a possibilidade de aplicações integradas, como fertirrigação (aplicação de fertilizantes e nutrientes) e quimigação (aplicação de insumos agrícolas fertilizantes, defensivos, herbicidas) e, em sistemas específicos, aplicação de subprodutos como vinhaça, com materiais e engenharia adequados para ambientes corrosivos.

Del Nero reforça, ainda, que, mesmo em um cenário mais desafiador, “a irrigação segue avançando em capilaridade e em sofisticação tecnológica. O Brasil continua ampliando sua área irrigada, especialmente em sistemas mecanizados de gotejamento e pivô central, e isso indica que o produtor enxerga a irrigação não como custo, mas como ferramenta estruturante de gestão de risco e produtividade”.

A concretização dos planos com desenvolvimento da área irrigada, ou a retomada, como prefere Del Nero, depende de três vetores principais: ambiente de financiamento mais equilibrado; avanço institucional e regulatório; e aceleração tecnológica, com consolidação da irrigação 4.0

Balanço

O ano de 2025 foi um período de consolidação e amadurecimento estratégico do setor. Após o ciclo de expansão mais acelerado observado entre 2020 e 2022, impulsionado por preços favoráveis das commodities e maior capitalização do produtor, o mercado passou a operar com maior seletividade nos investimentos. O custo do crédito mais elevado e limitações estruturais relacionadas à energia elétrica e à outorga de água impuseram um ritmo mais técnico às decisões.

Ao fazer esse balanço, o presidente da CSEI, resume: “2025 foi um ano de ajuste fino e fortalecimento das bases. 2026 tende a ser um ano de retomada qualitativa, com crescimento sustentado por tecnologia, governança e visão estratégica de longo prazo.” comenta Del Nero, deixando sua previsão para 2026: “A perspectiva é construtiva e mais consistente. O Brasil ainda possui amplo espaço para expansão sustentável da área irrigada, considerando seu potencial hídrico, territorial e climático.”

Nesse cenário o comportamento da indústria nacional – em particular das empresas associadas à CSEI – demonstrou maturidade e resiliência, mantendo investimentos consistentes em inovação, conectividade (que segue sendo um gargalo), eficiência energética e automação. Em outras palavras, “o foco deixou de ser apenas expansão de área e passou a incluir também modernização de sistemas, redução de custos operacionais e aumento de performance por milímetro aplicado.”

Estatística

No Brasil, a área irrigada se expande ano a ano, o que permite a Del Nero a comentar que “considerando o ritmo de crescimento observado até 2024 no pivô central, que adicionou mais de 140 mil hectares em um único ciclo, é tecnicamente razoável afirmar que a área atualmente equipada no Brasil pode ser superior àquela registrada nas últimas publicações. O número consolidado oficial é 8,2 milhões de hectares (base 2020), mas a realidade atual tende a ser maior, aguardando atualização metodológica ampla semelhante à do Atlas Irrigação (ANA, 2ª edição, 2021 – base FAO 2020). Ou seja, estamos crescendo, mas ainda com espaço de Brasil para avançar.”

Mesmo com estatísticas defasadas, dados de 2020 divulgados pela FAO (Food and Agriculture Organization ou, em português, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), situa o País entre os dez com maior área equipada para irrigação do mundo, ocupando a 6ª posição, com 8,2 milhões de hectares (Mha) equipados, sendo que à frente, estão China e Índia (cerca de 70 Mha cada), seguidas por EUA (26,7 Mha), Paquistão (20,0 Mha) e Irã (8,7 Mha).

Outro aspecto positivo é destacado pelo presidente da CSEI com relação às estatísticas globais: “A condição do Brasil é praticamente a oposta daquela dos líderes globais: muitos países que ocupam o topo do ranking já estão mais próximos do limite do seu potencial de expansão. Em outras palavras, o Brasil já é grande, mas ainda tem pista, e isso é uma vantagem competitiva para o futuro, desde que a expansão seja feita com governança hídrica, energia e financiamento.”