A corrida pelos minerais críticos, que está em um momento de efervescência, segundo análise do Itaú BBA sobre relatório da S&P Global divulgado em junho, tem prazo: pode durar menos de dois anos, porque as políticas podem mudar de foco. Para o Brasil, mesmo frente à vantagem geológica significativa em minerais críticos, os desafios estruturais que limitam a captura dessa oportunidade podem estender essa janela para, no máximo, três anos.
Esses analistas do Itaú BBA entendem que “apesar de importantes para demonstração de capacidade, as minas seriam menos relevantes que a capacidade de processamento do material, aspecto do qual o Brasil ainda é considerado carente.” Além disso, comentam que “a S&P Global destacou que os metais vêm sendo negociados mais como ações e ativos ligados à inteligência artificial do que como commodities físicas, refletindo um mercado cada vez mais guiado por fatores macroeconômicos e de posicionamento, em vez de apenas fundamentos”.
Nesse sentido, segundo relatório do BBA divulgado aos investidores, oferta e demanda, como é tradicional no mercado há décadas, são substituídas por movimentos geopolíticos, políticas industriais e posicionamento na cadeia de valor.
Outros fatores são destacados pelo estudo da S&P: a capacidade de refino e a formação profissional. A China se estrutura em indústrias completas que abrangem energia solar, baterias, veículos elétricos e componentes de energia eólica. Além disso, investe fortemente na formação de especialistas em mineração e metais, cerca de 5.000 ao ano, enquanto os Estados Unidos, em comparação, formariam aproximadamente 300 especialistas no setor por ano. Para o Ocidente, mesmo com esforço coordenado, “replicar esse ecossistema levaria de 20 a 30 anos.”
Falando especificamente sobre o Brasil, o relatório destaca o quanto o acesso ao financiamento é restrito, especialmente para empresas de pequeno e médio porte, assim como as limitações do crédito bancário em comparação internacional, apesar da existência de instrumentos como BNDES, FINEP, CoInvest e capital privado. O documento recomenda ao Brasil “acelerar investimentos e reformas em infraestrutura, regulação, financiamento e formação de mão de obra, sobretudo em um contexto global marcado pela concentração produtiva, como no caso das terras raras, amplamente dominadas pela China, que responde por cerca de 91% do refino e 94% da produção de ímãs permanentes, consolidando barreiras de entrada difíceis de replicar no curto e médio prazos.”











