Tornar o campo mais rentável, produtivo, eficiente e sustentável. Esse é o objetivo das mais de 800 marcas nacionais e internacionais presentes na AGRISHOW, distribuídas em área com cerca de 520 mil metros quadrados, onde circulam cerca de 200 mil visitantes de todos os Estados brasileiros e de mais de 50 países, que poderão ver de perto o que há de mais tecnológico para o agronegócio.
Nesse cenário destacam-se máquinas, equipamentos e implementos que trazem soluções que conectam produtividade, sustentabilidade e rentabilidade no campo para todos os perfis de propriedades, contemplando desde propriedades da agricultura familiar até grandes áreas produtivas.
Representante do setor de máquinas e equipamentos, composto por mais de 8.000 fabricantes nacionais, ao lado de outras entidades do agronegócio do País – Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e Sociedade Rural Brasileira (SRB) – a ABIMAQ, para facilitar o diálogo com os setores representados, conta com câmaras setoriais. Na relação com o agro, três se destacam, A Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) e mais duas diretamente vinculadas à infraestrutura, que tratam de equipamentos para armazenagem de grãos (CSEAG) e de equipamentos para irrigação (CSEI).
Em 2025, o faturamento do setor congregado na CSMIA alcançou R$ 66,7 bilhões, 7,4% acima do faturamento de 2024, informa Pedro Estevão Bastos, presidente dessa câmara setorial. Segundo ele, ao longo de 2025 “houve um discreto aumento de vendas, mas ainda bem distante do que consideramos um mercado normal em torno de R$ 75 bilhões e ainda mais distante do recorde de 2022, de R$ 99 bilhões.”
As perspectivas de 2026 sinalizam “pequena queda nas vendas, em torno de 8% devido aos preços internacionais dos grãos que estão em baixa, da cotação do dólar em queda, que deprime os preços dos produtos agrícolas e da taxa de juros considerada alta pelos produtores”, alerta Bastos, listando entre as principais causas dessa previsão “a alta taxa de juros para custeio e investimento aliado a exigência creditícia que aumentou consideravelmente no último ano. O governo prorrogou dívidas de agricultores de algumas regiões. A escalada da recuperação judicial no campo não contribui para resolução do problema e não há ações que resolvam a curto prazo o problema sistêmico de inadimplência no campo.”
Tratores, plantadeiras, colheitadeiras, pulverizadores são a base desse setor, muitos deles desenvolvidos para culturas específicas e segmentados por tamanho da propriedade rural e adequados ao clima e ao terreno em que irão operar. Os investimentos em P,D&I são voltados também à redução do uso de insumos, como fertilizantes, defensivos e sementes; redução das perdas nas colheitas; e ganhos operacionais do produtor com abastecimento, configurações e ajustes dos equipamentos.
Pedro Estevão Bastos – presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (CSMIA-Abimaq) – lembra que a agricultura digital é a tecnologia que tem se apresentado ao agricultor e promete aumentar a produtividade e a eficiência do agro: “Estamos apenas começando nesta jornada ainda temos um longo caminho a percorrer para usufruir na completude esta gama de tecnologias disponíveis.”
Entre as muitas ferramentas citadas por Bastos estão internet das coisas, inteligência artificial, big data, machine learning, robótica entre outras. “A tendência principal das máquinas é cada vez mais terem tecnologia embarcada com captação de dados da operação e do meio ambiente. Estes dados podem interferir imediatamente na operação da máquina ou podem abastecer bancos de dados que servirão para alimentar a inteligência artificial, machine learning e análise da performance das operações agrícolas, da performance agronômica e por fim da operação financeira da propriedade”, exemplifica ele.
O papel das máquinas agrícolas, para o presidente da CSMIA, evoluiu para o de ferramentas fundamentais para a captura de carbono, como o plantio direto, que exige adequações do equipamento para não afetar a matéria orgânica e o carbono estocados. Agrega, ainda, “as inovações tecnológicas da agricultura de precisão que reduzem os insumos através de sensores e taxas variáveis. Ainda temos as máquinas adaptadas para o ILPF e recuperação de pastagens degradadas que são grandes fontes de estocagem de carbono no campo.”
Para facilitar a aquisição das máquinas e equipamentos, alguns fabricantes mantêm bancos próprios, enquanto outros desenvolvem parcerias com instituições financeiras diversas. Há ainda opções com barter e consórcio. Mas, nos últimos anos, cresce a servitização, modelo de negócio que disponibiliza soluções integradas de produto e serviço, combinando manutenção avançada, monitoramento remoto, suporte via dados e serviços de performance, reduzindo risco para o produtor.
Linha amarela e equipamentos de transição
Às tradicionais máquinas e implementos agrícolas, dia a dia soma-se a participação das máquinas da linha amarela no setor, tradicionalmente utilizadas na construção civil. Assim, carregadeiras, escavadeiras, retroescavadeiras e tratores de esteiras deixaram de ser coadjuvantes para se tornarem parte essencial da rotina nas propriedades rurais, funcionado como ferramentas estratégicas da produção agrícola.
“A integração da linha amarela nas propriedades rurais tem expandido a capacidade operacional do setor”, afirma o presidente da Agrishow, João Marchesan, reforçando que esses equipamentos tornaram-se fundamentais em frentes como manejo de solo, manutenção de vias internas e implementação de sistemas de irrigação e drenagem. “A modernização reflete-se diretamente nos indicadores de produtividade, proporcionando ganho de escala e otimização dos custos fixos”, afirma.
Nesse cenário, a atuação da Câmara Setorial de Máquinas Rodoviárias (CSMR) da ABIMAQ ganha ainda mais relevância ao conectar a indústria de equipamentos pesados às demandas reais do campo. E, a AGRISHOW se consolida como vitrine das principais inovações da linha amarela aplicadas ao campo ao colocar esses equipamentos lado a lado com as máquinas agrícolas.
A evolução da presença da linha amarela nas propriedades rurais também vem respondendo por adequações nos equipamentos, assumindo configurações específicas para atividades como preparo de solo, abertura de áreas, manutenção de estradas internas e obras de infraestrutura rural. Além disso, incorporam tecnologias embarcadas para aumentar a precisão das operações, reduzir o consumo de combustível e garantir mais produtividade.
“O crescimento do uso das máquinas da linha amarela na agricultura reflete a busca constante por eficiência, produtividade e sustentabilidade no campo. Essas soluções têm se tornado indispensáveis para garantir maior competitividade ao produtor rural. A participação ativa na Agrishow reforça nosso compromisso em estar lado a lado com o agricultor, apresentando inovações que transformam desafios em oportunidades e impulsionam o futuro do agronegócio brasileiro”, destaca Andrea Zámolyi Park, Presidente da Câmara Setorial de Máquinas Rodoviárias (CSMR) da ABIMAQ.
Já os equipamentos das empresas agregadas na CSGF têm potencial de atender um mercado significativo, pois como informa Mário Fortunato – vice presidente da CSGF – há estimativa de que cerca de 5 milhões de famílias com propriedades de até 10 hectares no Brasil, condição que as enquadram no perfil de agricultura familiar ou hortifruticultura.
“Esse é um grande mercado, pois os equipamentos fabricados pelas empresas vinculadas à CSGF podem ser definidos como de transição da enxada para a mecanização ou, “a migração do produtor do trabalho manual ou da tração animal para a mecanização inicial”, comenta Fortunato, citando como exemplo o motocultivador, “equipamento que é visto como intermediário entre o trator de grande porte e o trabalho manual, que oferece impacto muito significativo na produtividade desse grupo de agricultores, contribuindo em operações que eram feitas antes com enxada, ou ferramentas manuais, ou até com tração animal.”
Esses equipamentos de entrada na mecanização são voltados, principalmente, à produção de frutas, hortaliças e, com grande destaque, à cultura do café. A inovação nesse segmento, comenta o representante da CSGF, são os robôs cortadores de grama, que “Já operam de forma autônoma, retornando sozinhos para a base de carregamento. Essas tecnologias autônomas, em parte, são residenciais, mas também se aplicam a ambientes profissionais e na pequena propriedade rural, inclusive devido à falta de mão de obra e ao custo operacional elevado dessas atividades”.











